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	<title>Vida Americana » Vida Americana</title>
	
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	<description>Vida Americana é um artigo semanal sobre a vida empresarial nos Estados Unidos, escrito de Seattle, na Costa Oeste norte-americana, cidade-sede da Boeing, Microsoft, Amazon e Starbucks, e cujo empresários estão se aproximando cada vez mais do Brasil a fim de diversificar sua pauta de exportações/importações. Aqui você ouve tendências, idéias inovadoras, start-ups de sucesso, comportamento, celebridades empresariais, fatos pitorescos e diplomacia empresarial. Vida Americana é uma das colunas mais lidas da Gazeta Mercantil, atingindo cerca de 400 mil leitores - a elite econômico-financeira brasileira - diariamente.</description>
	<pubDate>Tue, 15 May 2012 21:05:07 +0000</pubDate>
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		<itunes:summary>Vida Americana é um artigo semanal sobre a vida empresarial nos Estados Unidos, escrito de Seattle, na Costa Oeste norte-americana, cidade-sede da Boeing, Microsoft, Amazon e Starbucks, e cujo empresários estão se aproximando cada vez mais do Brasil a fim de diversificar sua pauta de exportações/importações. Aqui você ouve tendências, idéias inovadoras, start-ups de sucesso, comportamento, celebridades empresariais, fatos pitorescos e diplomacia empresarial. Vida Americana é uma das colunas mais lidas da Gazeta Mercantil, atingindo cerca de 400 mil leitores - a elite econômico-financeira brasileira - diariamente.</itunes:summary>
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		<title>Obama on line já ganhou a eleição</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 17:29:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nova York – Nesta semana o candidato democrata Barack Obama aceitará a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos na convenção de Denver, capital do Colorado, iniciando o round  final no embate com o candidato republicano, John McCain.  `	Seja qual for o resultado, a campanha virtual do americano-queniano-hawaiano à presidência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/09/obama_online.jpg"><img class="alignright alignnone size-medium wp-image-3395" style="float: right;" title="obama_online" src="http://www.podbr.com/data/2008/09/obama_online.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Nova York – Nesta semana o candidato democrata Barack Obama aceitará a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos na convenção de Denver, capital do Colorado, iniciando o round  final no embate com o candidato republicano, John McCain.  `	Seja qual for o resultado, a campanha virtual do americano-queniano-hawaiano à presidência dos Estados Unidos, que vai custar mais de US$ 1 bilhão até outubro,  tornou-se um oráculo para todos os outros candidatos que, de tempos em tempos, aventuram-se a cargos eletivos em qualquer país do mundo.</p>
<p><span id="more-3394"></span><br />
Seu website funciona como um alçapão para capturar eleitores que hoje passam boa parte do dia na frente de uma tela de computador, seja no trabalho ou no lar. O objetivo principal, como era de ser esperar, é arrecadar dinheiro num país de bolsos fartos onde 90% das casas estão plugadas na rede.<br />
Há dias, por exemplo, o site exibe uma pegadinha: “seja o primeiro a saber quem vai ser o vice-presidente de Obama”, um segredo tão bem guardado feito a fórmula da Coca-Cola. Basta registrar seu nome e email e você saberá instantaneamente (talvez até antes da imprensa&#8230;.) quem vai compor a chapa do candidato democrata.<br />
Outra? Doe dez dólares e concorra a uma jantar com Obama. Uma significativa parte das doações (30%) ao candidato é deste valor. Na internet, e com cartão de crédito, milhões de americanos estão contribuindo um pouquinho para eleger o candidato do povo, como geralmente se fala dos candidatos do partido Democrata nos Estados Unidos.<br />
Participação, debate, organização. Além de um mergulho na biografia e nas propostas de campanha, o site tornou-se um imenso espaço colaborativo.  Estimula os eleitores, ensina os fundamentos da liderança, fornece material de campanha, vende camisetas, logotipos e DVDs, mergulha na realidade de cada um dos 50 estados americanos e, principalmente, utiliza todas as ferramentas atuais para agregar pessoas: FaceBook, Myspace, Youtube, Flick, Linkedin &#8230;e por aí vai. De quebra, você pode registrar o número do seu celular para receber mensagens do candidato.<br />
Melhor, impossível.<br />
No futuro, a história registrará esta campanha on line como um marco que transformou e aprimorou a democracia, trazendo o eleitor para o centro real do espetáculo, coisa que jamais se imaginava quando este modelo político foi inventado na antiga Grécia.<br />
Nesta nova posição, o eleitor vai se apegar ao poder que nunca teve.  Vai querer que as decisões não esperem quatro ou oito anos para serem efetivadas. Ou, quem sabe, não vai querer mais a intermediação de políticos para proteger o seu status quo, melhorar de vida ou ajudar quem precisa.<br />
Com Barack, abre-se uma janela para adivinharmos o futuro de nós enquanto seres políticos. Deseja mudança? Quer uma escola no seu bairro? Eleger ou depor um governante? Abra a tela do computador e simplesmente dê um clique.</p>
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		<title>Viva a diferença, mas com direitos iguais</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 18:37:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Vida Americana]]></category>

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		<description><![CDATA[Traída pelo marido, traída pelo Partido Democrata e agora por Barack Obama, que não a escolheu para ser vice-presidente na sua chapa à Presidência dos Estados Unidos, a senadora por Nova York Hillary Rodham Clinton, 60 anos, não deixou por menos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/09/hillary.jpg"><img class="alignright alignnone size-medium wp-image-3393" style="float: right;" title="Hillary Clinton" src="http://www.podbr.com/data/2008/09/hillary.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Seattle – Traída pelo marido, traída pelo Partido Democrata e agora por Barack Obama, que não a escolheu para ser vice-presidente na sua chapa à Presidência dos Estados Unidos, a senadora por Nova York Hillary Rodham Clinton, 60 anos, não deixou por menos. Subiu semana passada no palanque da convenção do partido em Denver, Colorado, e, lá de cima, jurou fidelidade ao marido (“um dos melhores presidentes norte-americanos até hoje&#8221;), ao Partido (“precisamos nos unir&#8221;) e a Obama (“ele é o meu candidato”).<br />
Mulher traída, como se sabe, é um dos bichos mais perigosos que existe. Quando traída politicamente é pior ainda. Mas Hillary, que sofreu as duas traições, é diferente. Como animal político, capaz de manter um casamento com um marido que fez sexo com uma estagiária dentro de sua própria casa, a determinação da ex-primeira dama dá inveja tanto em homens como em mulheres. Embora rica com as vendas de sua biografia (sua fortuna é avaliada em US$ 34,9 milhões), ou com as palestras do Bill, Hillary vem gastando um dinheirão desde que começou a campanha –e, o pior, está devendo os bicos. Mesmo assim, não desiste.</p>
<p><span id="more-3392"></span><br />
Ela chegou a Denver, sempre naqueles conjuntinhos que as mulheres executivas usam para não ficar muito tempo diante do armário, com um fantástico respaldo político. Teve mais votos, mais estados e mais delegados que qualquer outro candidato na história das convenções democratas, mas mesmo assim não obteve o consenso do partido. Hillary, a exemplo de outras mulheres no poder, tem um alto índice de rejeição, especialmente de mulheres que acham que lugar de mulheres é em casa, esquentando a barriga no fogão e esfriando no tanque, como se diz.<br />
Fora este machismo, que nos Estados Unidos é jogado na cesta comum do que os americanos chamam de sexismo, há quem ache que Hillary na Casa Branca seria um problema. Primeiro, porque não teria peito suficiente para ocupar o cargo mais importante do mundo, um lugar onde, com uma pincelada, pode-se mudar o rumo da história do Universo, para o bem ou para o mal. Segundo, porque é casada com Willian Jefferson Clinton, cujo papel seria viver na Casa Branca e, o que é pior, à toa. E como é perigoso homem sem fazer nada dentro de casa.<br />
Hillary subiu no palanque falando “sou uma mãe orgulhosa, uma orgulhosa democrata, uma orgulhosa norte-americana e um orgulhoso cabo eleitoral de Obama” com uma plataforma política própria, mais uma vez. Ali, caso falasse a linguagem dos homens, e não da política, falaria: “Perdi a batalha – aliás, diversas batalhas – mas aqui ainda estou, representando todas as mulheres do mundo, lutando por um lugar ao sol neste mundo machista, bélico, antiecológico e inconseqüente”.<br />
Está certo que a presença de Hillary foi apagada pela ovação de mais de 10 minutos ao ex-presidente Bill Clinton, ou pelo irrepreensível discurso de Barack Obama (já vi discursos ótimos, mas o de ontem será visto daqui a 40 anos com a mesma devoção).  Hillary volta ao Senado para continuar sua representação do povo de Nova York. A ex-candidata à Presidente vai ser provavelmente ministra de Obama. E, de lá, tentar novamente ser a presidente dos Estados Unidos.</p>
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		<title>Estão falando mal de você</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 16:04:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[San Francisco – Uma das primeiras lições que aprendemos no jornalismo é jamais falar ou escrever através da mídia aquilo que você, como cavalheiro, não faria pessoalmente. O mesmo pode ser aplicado aos bilhões de internautas que, freneticamente, não medem palavras ou sentimentos quando se dirigem a outras pessoas, especialmente crianças. Esta lei, apesar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/08/adinas-deck.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-3298" style="float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Adina\'s Deck" src="http://www.podbr.com/data/2008/08/adinas-deck.jpg" alt="" width="150" height="200" /></a>San Francisco – Uma das primeiras lições que aprendemos no jornalismo é jamais falar ou escrever através da mídia aquilo que você, como cavalheiro, não faria pessoalmente. O mesmo pode ser aplicado aos bilhões de internautas que, freneticamente, não medem palavras ou sentimentos quando se dirigem a outras pessoas, especialmente crianças. Esta lei, apesar de não escrita, nada mais é que bom senso (ou senso comum) para quem vive em sociedade.<br />
Só que a turma da internet, armada de emails, mensagens instantâneas, sites de relacionamento etc. não está nem aí para estes limites e está mandando ver. O resultado é que hoje, nos Estados Unidos, 42% das crianças e adolescentes já foram ou são vítimas de um engraçadinho (ou, na maioria das vezes, engraçadinhas) que escrevem coisas horríveis para amigos, amigos dos amigos, namorados, casos e, o que era de se esperar, inimigos.</p>
<p><span id="more-3297"></span><br />
Pode parecer coisa menor, “coisa de criança” , mas tem gente nem experimentou a puberdade e já se matou depois de receber emails ofensivos ou sofrer campanhas on line maliciosas,  desde críticas à quantidade de espinhas no rosto, o tamanho do nariz, uma roupa considerada ridícula, intolerância racial e até rejeições amorosas. Pais, educadores e gente preocupada com o assunto vêm criando sites educacionais, como o <a href="www.cyberbullyng.com" target="_blank">www.cyberbullyng.com</a>, para abrigar denúncias e fazer algo sobre o assunto. Até um filme, Adina&#8217;s Deck, já foi feito sobre a questão.<br />
Quem tem filho sabe que crianças (e adolescentes) falam e escrevem coisas horríveis, não porque são maus ou futuros criminosos. Mas, por não terem sofrido as agruras da vida, não conseguem avaliar os resultados de suas ações.  Com o tempo, e depois de levar umas pancadas, pensam duas vezes antes de falar o que vem à cabeça. Palavras são poderosas. Elas encantam ou destroem, na maioria das vezes muito mais pela forma do que pelo conteúdo.<br />
Defronte à tela de um lap top ou um celular, no entanto, fica mais fácil soltar as rédeas das emoções e destruir pessoas. Sem a presença física, ou mesmo travestido de outra pessoa, a tela do computador funciona como um escudo, um objeto eletrônico que te impede de levar um soco ou ouvir o que não quer. É um veículo ideal para gente ruim, que gasta tempo e palavras para o mal. Na enquete americana, 58% das crianças e adolescentes entrevistados não revelaram aos seus pais, ou a qualquer adulto, que foram ou estão sendo vítimas de ameaças, campanhas difamatórias, fofocas etc.<br />
O que fazer? Segundo o site www.stopbullyingnow.com, coloque o computador que os filhos utilizam em lugares freqüentados pelos pais. O segundo passo é conversar com os filhos sobre o assunto, e encorajá-los a revelar quando há alguma ameaça. É importante frisar que jamais a vítima deve responder às ameaças on line, e sim procurar amparo nos responsáveis ou, em última instancia, na Justiça. É recomendável manter as provas deste crime, jamais apagando os emails, mensagens de texto ou fotos e ilustrações enviadas. E, por último, instalar softwares de controles nos computadores dos filhos, muitos deles já incorporados aos navegadores quando são instalados.<br />
Não só nos Estados Unidos, como em todos os países, o cyberbullying é uma atividade repugnante e inaceitável, e que merece a intromissão de pais ou responsáveis mesmo à custa da perda de parte da privacidade dos filhos. Deste Adão e Eva, nunca tivemos uma ferramenta como a internet para colaborarmos em escala global rumo à paz e a felicidade. Pena que tem gente no mundo que acha justamente o contrário.</p>
<p>•    Dirige a The Information Company nos Estados Unidos (pedro@theinformationcompany.net)</p>
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		<title>Nosso destino é criar</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Aug 2008 14:29:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[San Francisco - Não é café, nem petróleo ou avião. Enfim, depois de tortuosos 508 anos de vida, descobrimos nossa vocação: é criar, formar conceitos, conectar pontos, inventar, abrir as portas do inusitado. Os brasileiros, que desde 2006 investem mais no mundo que o mundo no Brasil (US$ 152 bilhões em ativos, segundo a KPMG), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/08/orgulho_ser_brasil.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-3132" style="float: right;" title="orgulho_ser_brasil" src="http://www.podbr.com/data/2008/08/orgulho_ser_brasil.jpg" alt="" width="188" height="158" /></a><em>San Francisco</em> - Não é café, nem petróleo ou avião. Enfim, depois de tortuosos 508 anos de vida, descobrimos nossa vocação: é criar, formar conceitos, conectar pontos, inventar, abrir as portas do inusitado. Os brasileiros, que desde 2006 investem mais no mundo que o mundo no Brasil (US$ 152 bilhões em ativos, segundo a KPMG), estão em vias de dominar a criação nos Estados Unidos, desde publicitários, designers, músicos, gente da moda e até empresários. Agora, temos um produto, a criatividade, um projeto, espalhar nossa criação nos quatro cantos do mundo, e um objetivo para esta revolução criativa: gerar dividendos para nós.</p>
<p>Mergulhados num prato de frango ao curry, regado a água de coco, num barulhento restaurante asiático aqui, na capital da inovação, PJ Pereira (sócio de Nizan Guanaes nos Estados Unidos), Bruno Ewald, cineasta e sobrinho do Rubens, e eu vamos resolvendo os problemas nacionais e citando nomes que, hoje em dia, são mais falados nos Estados Unidos que no Brasil: Ícaro Dória, da Saatchi &amp; Saatchi New York; Ricardo Figueira, da Isobar; Fernanda Romano, da JWT. O próprio PJ já é um dos criativos mais festejados aqui em San Francisco, através da Pereira &amp; O&#8217;Dell.<span id="more-3131"></span></p>
<p>Por sermos uma festejada mescla de branco-indio-negro, uma Itália dos trópicos rebatizada a cada ano como o país do futuro, aprendemos a criar do nada, sem organização ou planejamento, em cima da hora ou, como celebramos, por acaso. Veja este povo da Imbev, o Carlos Brito comprando a Anheuser-Bush na maior transação da história dos Estados Unidos. Ou Carlos Ghosn, colocando a Nissan/Renault nos trilhos e reinventando a indústria automobilística. Rogê Agnelli, o ser mais competitivo que o Brasil já produziu, dia desses faz a Vale dona de todas as minerações aqui, repetindo o sucesso de Alain Belda, da Alcoa.</p>
<p>Sem ufanismo, é tudo gente que fala português, bebe caipirinha, já chorou na novela das oito e cresceu jogando futebol. Ou também gente que cansou de falar mal do Brasil ou que não entende porque a nossa auto estima já nasceu lá embaixo. Daí este Manifesto Bossa Nova pela Criatividade Brasileira, um documento nascido pelas mãos do baiano Nizan Guanaes (que como todo bom baiano não nasceu, estreou), e que deu o que falar durante um recente congresso de propaganda no Brasil.</p>
<p>O conceito de criatividade, como se sabe, não é novo, mas a conscientização de seu poder ecônomico é. Ela desafia formas, estruturas, hierarquias, parece ser espontânea, mas na maioria das vezes surge da fórmula 90% transpiração e 10% inspiração. Esta indústria - que pode ser encontrada em setores tão distintos como softwares ou artesanato, costura ou vídeos, televisão ou móveis -, e cujo valor de exportação hoje é calculado em mais de US$ 445,2 bilhões em todo o mundo, segundo o consultor Supachai Panitchpakdi, é a nossa redenção, aquilo que fazemos de melhor, a arma que precisamos utilizar intensamente para não naufragar num mundo dominado pelas formigas chinesas, pelos PHDs em série da Índia ou pelos petrodólares da Rússia.</p>
<p>Falta agora bater no peito, reconhecer nosso potencial, trabalhar duro e correr para o abraço. Pouca gente consegue ver a relação entre criatividade e desenvolvimento político, social e econômico.  Criatividade é o amálgama que pode nos unir para sobreviver num mundo globalizado, instantaneamente mutável, mudando (para melhor) o nosso destino. A melhor forma de prever o futuro, como se sabe, é criá-lo.</p>
<p>Dirige a The Information Company nos Estados Unidos (pedro@theinformationcompany.net)</p>
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		<title>Alô? Preciso da sua ajuda para salvar o mundo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 19:16:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Jamie Dimon, CEO e chairman do JP Morgan Chase, recebeu um chamado dos diretores do Bear Stearns, a venerável casa bancária nova-iorquina, àquela altura vítima de uma corrida sem precedentes. “Precisamos de US$ 30 bilhões para fechar o caixa esta noite”, imploraram.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/08/jamie-dimon.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-3120" style="float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Jamie Dimon. Foto: Michael O\'Neill" src="http://www.podbr.com/data/2008/08/jamie-dimon.jpg" alt="" width="158" height="188" /></a>Seattle – Quando tomava seu último drinque num restaurante de Nova York na noite em que comemorou seu 52º aniversário, dia 13 de março deste ano, Jamie Dimon, CEO e chairman do JP Morgan Chase, recebeu um chamado dos diretores do Bear Stearns, a venerável casa bancária nova-iorquina, àquela altura vítima de uma corrida sem precedentes. “Precisamos de US$ 30 bilhões para fechar o caixa esta noite”, imploraram. Dimon deu dois goles, pensou alguns segundos já ia respondendo um sonoro não quando avaliou que ali estava o início de uma catástrofe de proporções globais. A festa de aniversário não só tinha acabado para ele. Naquela noite e nas 72 horas seguintes, em frenéticas negociações, Dimon mobilizou o presidente do Banco Central, o secretário do Tesouro e toda uma cadeia de milhares de contadores, advogados, consultores, e gerentes ao redor do mundo para salvar o Bear. Acabou comprando o banco por uma ninharia (“uma coisa é você comprar uma casa, a outra é comprar uma casa em chamas”, disse ele) por dez dólares a ação, com o aval do BC americano.<br />
<span id="more-3119"></span><br />
Dimon é hoje a maior sensação do sistema financeiro dos Estados Unidos. Bem nascido, formado por Harvard, cara de menino, obcecado por cortar custos, desde bônus até contas de celulares, deu semana passada uma entrevista de quase duas horas para a TV pública norte-americana, a PBS, durante o Festival de Novas Idéias, em Aspen, Colorado. Ali, diante do jornalista Charlie Rose, descreveu com o humor os delicados dias em que, segundo ele, o mundo foi salvo de uma hecatombe financeira. “Naquela noite, avaliamos que havia um risco de 30% de haver uma quebra sucessiva de bancos e outras instituições financeiras – mesmo assim, assumir este risco seria uma grande falta de responsabilidade - tudo poderia acontecer”. Dimon, que já foi protegido e braço direito de Sandy Weill, o obscuro banqueiro que através de fusões e aquisições chegou a chairman do então maior conglomerado financeiro mundial, o Citicorp, sendo depois demitido por seu protetor, diz que Wall Street não pode ser responsabilizada pela crise econômica americana. “Wall Street somos todos nós”, disse ele.  Qualquer cidadão americano (ou de muitos países) possui investimentos ou aposentadorias negociadas lá, explica. “No entanto, há muita alavancagem, liquidez e ambições desmedidas, mas Wall Street apenas reflete o que se passa na economia”.</p>
<p>Dimon, casado e pai de três filhas, já poderia estar descansando em cima dos seus quase um bilhão de dólares, principalmente em ações do JPMorgan, mas parece um gênio jovial quando fala do sistema financeiro, dos Estados Unidos e dos problemas a serem enfrentados por Barack Obama ou John Mccain, candidatos dos democratas e dos republicanos.  O principal deles, diz Dimon, é o que ele considera uma “esclerose” das instituições norte-americanas. Para o chairman do JPMorgan, os Estados Unidos perderam a capacidade de reagir e resolver seus problemas, habilidade que, há quase um século, tem levado o país a ser a maior potência do mundo. Por exemplo, “desde 1974 sabíamos da crise de petróleo, e mesmo fizemos muito pouco para solucioná-la”. Mais ainda, os Estados Unidos não têm um plano para resolver o decadente sistema educacional e os estratosféricos custos da saúde, reclama. “Apesar de democrata, tenho muitos amigos republicanos e milionários que pensam que eles fizeram este país – penso o contrário: eles são beneficiários das oportunidades que os Estados Unidos lhes ofereceram e agora está na hora deles ajudarem o país a resolver estas importantes questões”.</p>
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		<title>Tiger Woods, a vitória de todas as raças</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 19:29:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle - Tiger Woods, o descendente de negros, brancos, europeus, índios e asiáticos que aos 32 anos já é considerado o maior jogado de golfe de todos os tempos, a ponto de ser criticado por acabar com a competitividade neste esporte que encanta os americanos - &#8220;o máximo que você consegue é um segundo lugar&#8221;- [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/07/tiger_woods.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-3075" style="float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Tiger Woods" src="http://www.podbr.com/data/2008/07/tiger_woods.jpg" alt="" width="150" height="180" /></a>Seattle - Tiger Woods, o descendente de negros, brancos, europeus, índios e asiáticos que aos 32 anos já é considerado o maior jogado de golfe de todos os tempos, a ponto de ser criticado por acabar com a competitividade neste esporte que encanta os americanos - &#8220;o máximo que você consegue é um segundo lugar&#8221;- anunciou que vai abandonar o gramado nos próximos meses para trocar parte do joelho esquerdo. Ao vencer o US Open pela quinta vez, outro recorde histórico, Tiger vai ter de ficar de molho por um motivo bastante comum aos atletas: já operou do joelho, não deu tempo para a natureza recuperá-lo, e agora vai ter de sofrer uma nova cirurgia.<br />
Tiger, californiano nascido Eldrick Tont Woods, será o primeiro atleta a fazer um bilhão de dólares nos Estados Unidos agora em 2010. Onipresente na mídia  - além dos torneios ele é garoto-propaganda de empresas como a Accenture (&#8221;Be a Tiger&#8221;), <em>Nike</em> e a <em>Gatorade</em>, agora vem sendo alvo de teses, não só de jornalistas como de estudiosos, para explicar seu estilo calmo,  focado e impertubável, &#8220;uma verdadeiro abismo entre seus olhos e o meio ambiente que o cerca&#8221;, como definiu o colunista David Brooks, do The New York Times e da PBS, a tv americana. Além da concentração, uma vontade infinita de vencer, força só vista até hoje com o nadador Mark Spitz (&#8221;o importante não é competir, é vencer&#8221;), o ciclista Lance Armstrong ou Michael Jordan, o jogador de basquete que permanecia no ar, como Dadá Maravilha ,e, lá em cima, fazia o diabo com a bola.</p>
<p><span id="more-3074"></span><br />
No esporte, como na vida, não existe almoço grátis. Tiger respira, come e vive golfe 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. O homem, que já venceu os 14 mais importantes campeonatos de golfe e 65 PGA Tours, fazendo-o da forma mais rápida e incisiva entre os concorrentes, é destes predestinados. Começou a jogar com dois anos de idade. Aos três, acertou 9 buracos num tempo recorde e, aos 9, apareceu na Golf Digest e na TV ABC no programa &#8220;Isto é Inacreditável&#8221;. Seu pai, Earl, um tenente coronel veterano do Vietnã mistura de negro, chinês e índio americano, lembrou que Tiger passava até três horas seguidas na TV sem desgrudar os olhos das partidas, que muitas vezes fazem muita gente dormir.  Tiger disse que seu pai lhe ensinou a auto disciplina, mas foi sua mãe, Kultida, mistura de tailandesa, chinesa e holandesa - que lhe transmitiu o budismo que, segundo ele, lhe ajudou a controlar a teimosia e a impaciência.<br />
Seja a meditação,  a mistura de raças ou a habilidade de nascença,é interessante como Tiger comporta-se como o próprio animal que inspirou seu apelido e, em campo, fica impassível, com olhos arregalados, a espera do momento oportuno para agir, deixando a cabeça processar milhares de variáveis para gerenciar o risco de errar e perder. Imagina-se que sua mente assemelha-se aos algoritmos dos computadores para imaginar dezenas de jogadas à frente, levando em consideração milhares de variáveis sem menosprezar (ou deletar) as experiências do passado. Tiger, a exemplo de seus pares, casou com uma loira esvoaçante, tem uma vida reclusa e é tão previsível e monótono em suas entrevistas quanto Ayrton Senna falando de performance automobilística.<br />
Sua performance no golfe lembra a chegada de Mike Tyson ao boxe: ganha todas, reinventa o esporte, atrai multidões, gera as mais bizarras explicações. Ao contrário de Tyson, que não conseguiu controlar seus impulsos destrutivos, Tiger parece sempre estar no comando, com a mente alerta, a coluna ereta e o coração tranquilo. De tacada em tacada, é fonte de inspiração para todos nos.</p>
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		<title>Abaixo os políticos (e viva a política)</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 20:42:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O fenômeno da internet – e da colaboração – democratiza a informação e, conseqüentemente, o poder. Mais do que a TV, a Internet hoje é, por exemplo, o banco dos réus dos representantes que dizem nos representar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/07/politicos.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-3034" style="float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Abaixo os políticos" src="http://www.podbr.com/data/2008/07/politicos.jpg" alt="" width="150" height="180" /></a>San Francisco, Califórnia – Quando no poder, ou próximos a ele, os políticos roubam (ou deixam roubar), favorecem interesses (mesmo os bons) ou simplesmente embolsam gordos salários e não fazem nada. A culpa não é deles. Como os gregos descobriram ao inventar a democracia, é próprio do ser humano querer agradar a todos, mentir ou acomodar-se às benesses da Corte.  E, mais ainda, fazer de tudo para não perder esta boquinha.<br />
Mas a possibilidade de extirpar os políticos – e preservar a política – está chegando. Depois de uma semana fazendo um documentário para a TV brasileira sobre a revolução da colaboração aqui no Vale do Silício, fica fácil entender porque a era do intermediário – políticos, vendedores de seguros, consultores, advogados e até jornalistas – está chegando ao fim.<br />
O fenômeno da internet – e da colaboração – democratiza a informação e, conseqüentemente, o poder. Mais do que a TV, a Internet hoje é, por exemplo, o banco dos réus dos representantes que dizem nos representar. Os internautas, libertários por natureza e gregários no cotidiano, quase elegeram o obstetra Ron Paul (“fim do imposto de renda e das forças armadas”) candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.<span id="more-3033"></span><br />
Agora, numa virada surpreendente, podem destruir a candidatura de Barack Obama, o democrata escolhido pela blogosfera para a Casa Branca. O afro-asiático-americano está indo para o centro para agradar outros eleitores, com posições direitistas sobre a pena de morte para estupradores de crianças, o porte de armas e aí por diante.<br />
A mudança está enfurecendo o mundo virtual. Ao mesmo tempo em que Obama vira a folha, 12 mil internautas criaram um grupo on line no site do candidato, exigindo que ele mantenha-se fiel aos princípios de campanha. “Quando um candidato decide se mover para o centro, ele deveria ficar longe de nós”, disse Mike Stark, estudante de direito da Universidade de Virgínia.<br />
Ou seja, a opinião do eleitor que está detrás da tela do computador agora não é apenas importante, mas pode definir o futuro dos políticos – e da política. O ambiente virtual tem todas as condições não só de deliberar sobre qualquer assunto que rege nossas vidas, mas também acabar com a intermediação, que hoje sobrevive porque os intermediários sempre vão arranjar um jeito de sobreviver.<br />
Calcula-se que hoje existam 1,2 bilhão de internautas no mundo, que de uma forma muito mais fácil, segura e instantânea podem votar on line sobre qualquer tema, dispensando exaustivos processos de campanha, financiamentos, lobby, corrupção&#8230; Enfim, toda esta embromação que muita gente já está cansada de acompanhar no nosso dia-a-dia.<br />
Tome-se o exemplo de George W. Bush. Um homem só, eleito pelo voto dos delegados, e não pelo voto do povo, fez um estrago de proporções maremóticas em oito anos de governo. Ou mesmo Lula, no Brasil, que está dando certo porque, incompetente e complacente com a corja que tomou o poder, não conseguiu fazer o estrago de proporções maremóticas pelo qual foi eleito.<br />
Todo poder ao povo, dizia John Lennon. Fosse vivo, hoje estaria cantando: todo poder a você.  Agora, a liberdade, a paz e a democracia estão na frente de qualquer tela de computador.</p>
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		<title>Show de bola nos gringos</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jun 2008 13:04:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle – Brasileiro, aqui nas proximidades do Pólo Norte, é que nem Deus. Todo mundo sabe que existe, mas ninguém vê. Semana passada, quando o escrete passou na cidade para derrotar o Canadá, deu Brasil em tudo quanto é canto. Calculava-se cerca de sete mil brazucas em Seattle, mas praticamente todo o estádio Qwest Field, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.podbr.com/data/2008/06/selecao.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-2337" style="float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="Brasileiros" src="http://www.podbr.com/data/2008/06/selecao.jpg" alt="Torcida brasileira" width="158" height="188" /></a>Seattle – Brasileiro, aqui nas proximidades do Pólo Norte, é que nem Deus. Todo mundo sabe que existe, mas ninguém vê. Semana passada, quando o escrete passou na cidade para derrotar o Canadá, deu Brasil em tudo quanto é canto. Calculava-se cerca de sete mil brazucas em Seattle, mas praticamente todo o estádio Qwest Field, que recebeu 47 mil pagantes, era de pedros e marias, josés e aparecidas, uma onda verde amarela que Seattle jamais vai esquecer.<br />
O domingo, como sempre, estava frio e chuvoso (aqui é a cidade que mais chove nos Estados Unidos, e talvez na Via Láctea toda), mas desde o meio-dia começou a brotar no centro da cidade gente bonita, queimada de sol e com pouca roupa. Depois de cerveja e caipirinha, temperadas com músicos brasileiros locais (sim, eles existem), a seleção entrou em campo e aí foi uma zorra total. Exaltados, brasileiros chegarem a ser presos e liberados em seguida. No aquário dos jornalistas, lúgrube e infeliz, choveram lamentos sobre o “espetáculo deplorável de futebol estilo Dunga” que estávamos vendo.<br />
<span id="more-2336"></span><br />
Nas arquibancadas era só festa. É difícil presenciar aqui gente que tem controle de bola, dribla com ginga e dá espetáculo para quem pagou cerca de 100 dólares por um ingresso. No gargarejo, dava para ouvir Robinho, o maior astro, emitir grunhidos para pedir a bola e marcar gols. É o velho ditado que só quem cresceu jogando pelada conhece (e às vezes cumpre): “Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência”. Ele enfiava as bolas na rede, mandava beijos para a torcida e assim caminhava a humanidade.<br />
Trocando de lugares durante o jogo, junto aos jornalistas ou no meio da galera, dava para ver porque, muitas vezes, a mídia se distancia da realidade. O Brasil teria podido entrar em campo com um bando pernas de pau, brucutus, chacretes ou coisas do tipo. Entrou com um timão milionário, unido, sincronizado, brincalhão, fazendo bicicletas, folhas-secas e outras mágicas brasilianas. Por mais que os jornalistas tenham descido o porrete, o time jogou bem, ganhou a partida e fez a alegria da “sofrida torcida brasileira nos Estados Unidos”, como lembrou Dunga (ou era o Tristonho?) na entrevista.<br />
Sofrida mesmo. Boa parte da população brasileira em Seattle é ilegal. A maioria veio de Goiás, um estado que liga Brasília a Minas Gerais. Reinam numa atividade que rende em média 16 mil dólares por casa para as empresas que os contratam: trocar telhados. É um emprego arriscado. Como chove muito, estão sempre despencando lá de cima. Se caírem, têm de ir para o Hospital, passar pelos canais burocráticos e cair nas garras da imigração. Se pegos, passam de um a dois meses na cadeia e depois são deportados para o Brasil. “Não dá nem para pegar a escova de dente em casa”, diz um deles.<br />
Brasileiros, como outros imigrantes, são a chave do sucesso norte-americano. Pagando salários mais baixos, os gringos conseguem índices de produtividade maiores, mantêm a economia funcionando. São pedreiros, carpinteiros, pintores e telhadistas que estavam na torcida. Gente humilde, que troca o almoço pela janta, dorme em barracões das empresas, trabalha sete dias por semana, sofre com a desvalorização do dólar e sonha com uma vida melhor. No domingo de chuva, nunca tivemos tanto orgulho do Brasil. Que terra, que gente boa, e que saudade.</p>
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		<title>Receita para advogados: como convencer os juízes</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 20:32:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle – Acaba de sair aqui o festejado livro do Antonin Gregory Scalia, o falcão da Suprema Corte norte-americana que, escolhido por Ronald Reagan, tornou-se o pavor dos advogados americanos antes, durante e até depois dos julgamentos. Em Making Your Case, The Art of Persuading Judges, Scalia, um ítalo-americano nascido em Nova Jersey, debulha em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/06/antonin_gregory_scalia.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-2335" style="float: right;" title="Antonin Gregory Scalia" src="http://www.podbr.com/data/2008/06/antonin_gregory_scalia.jpg" alt="Antonin Gregory Scalia" width="158" height="188" /></a>Seattle – Acaba de sair aqui o festejado livro do Antonin Gregory Scalia, o falcão da Suprema Corte norte-americana que, escolhido por Ronald Reagan, tornou-se o pavor dos advogados americanos antes, durante e até depois dos julgamentos. Em Making Your Case, The Art of Persuading Judges, Scalia, um ítalo-americano nascido em Nova Jersey, debulha em 115 pequenas lições a arte de dobrar os juízes a favor dos clientes, de forma que eles se sintam fiéis da balança, fiéis ao chamado espírito da lei e, mais importante, fiéis de que jamais contraditados no futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo para nós, eventuais réus, o livro é uma delícia, porque força os rábulas que invadem o mundo, em torno de 950 mil só nos Estados Unidos, a fazerem o dever de casa. Antes de disparar lições com uma surpreendente capacidade de síntese, Scalia adverte que juízes só podem ser persuadidos se (1) eles têm uma idéia clara do que os advogados estão pedindo para a Corte fazer, (2) se eles têm certeza de que a Corte tem o poder de fazer o que eles estão pedindo, para, então, (3) ouvidas todas as razões (inclusive da parte contrária), concluírem que o que você está pedindo é o melhor – não só no seu caso como nos casos que virão.<span id="more-2334"></span></p>
<p>Scalia divide juízes entre textualistas, como ele, que apenas se atêm ao que está escrito nos códigos, e aqueles que querem fazer história, ou seja, aqueles que julgam prestando atenção no desdobramento de suas decisões. “Para mostrar as razões que vão persuadir os juízes a decidir ao seu favor”, no entanto, o advogado fundamentalmente “precisa saber o que motiva a Corte, e isto nem sempre é fácil de discernir”.  Quanto mais completa a pesquisa sobre os precedentes, mais chances o advogado tem de ganhar a causa. A lógica é clara: se no passado o juiz decidiu assim, é claro que agora ele vai decidir assim.<br />
Diz o adágio que juiz não fala, decide. Scalia, casado há 48 anos e com nove filhos, adora falar. Recentemente, ocupou metade do 60 Minutes, o Fantástico americano. Para se ter uma idéia da sua personalidade, basta dizer que ele acha tortura perfeitamente aceitável nos interrogatórios. Mesmo na extrema da extrema direita, posição política muito comum entre imigrantes ou filhos de imigrantes, o juiz surpreende ao revelar o que, na visão dele, conquista os magistrados. “Simpatia, caráter e competência são bastante admirados pelos juízes, pois a tendência humana é a de ser mais receptivo à pessoa em que se confia e se gosta”, diz Scalia. “Todos nós somos mais aptos a ser persuadidos por alguém que nós admiramos do que por alguém que detestamos”.<br />
Diante do Juiz, conclui, o objetivo de qualquer argumento é mostrar você mesmo digno de confiança e afeição. “A confiança acaba quando o advogado dissimula ou induz falsa informação- não só intencionalmente como, o que é pior, sem cuidado”. Ou mesmo “descaracterizar o precedente para que ele se ajuste ao caso em questão, construindo argumentos que convenceriam apenas os estúpidos ou mal informados.”.</p>
<p>Pedro Augusto Leite Costa*</p>
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		<title>Viagem fantástica</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 15:38:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle – Segundos depois de despertar numa fria manhã em 10 de dezembro de 1996, a neuroanotomista norte-americana Jill Bolte Taylor sentiu uma fisgada na cabeça, semelhante àquela sensação de quando tomamos sorvete rapidamente. Levantou-se e, já no banho, perplexa e intrigada, sentiu estar numa viagem alucinógena, onde os pingos do chuveiro pareciam brincar com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.podbr.com/data/2008/06/jill_bolte_taylor.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2323" style="float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="jill_bolte_taylor" src="http://www.podbr.com/data/2008/06/jill_bolte_taylor.jpg" alt="Jill Bolte Taylor" width="158" height="188" /></a>Seattle – Segundos depois de despertar numa fria manhã em 10 de dezembro de 1996, a neuroanotomista norte-americana Jill Bolte Taylor sentiu uma fisgada na cabeça, semelhante àquela sensação de quando tomamos sorvete rapidamente. Levantou-se e, já no banho, perplexa e intrigada, sentiu estar numa viagem alucinógena, onde os pingos do chuveiro pareciam brincar com as células do seu corpo. Aos 37 anos, uma das maiores especialistas do mundo em cérebro estava sofrendo um derrame cerebral provocado por uma hemorragia craniana do tamanho de uma bola de golfe. Nas quatro horas seguintes, foi médica e paciente, feitiço e feiticeira, atriz e espectadora: numa cronologia aterrorizante, assistiu de camarote à perda da fala, da capacidade de ler, de escrever e de reagir a estímulos externos, sentidos alojados na parte esquerda da sua cabeça. Virou uma criança num corpo de mulher. Depois de operada, extirpada a hemorragia, demorou nove anos para se recuperar.</p>
<p>Tanto no best seller “My Stroke of Insight” quanto no vídeo que faz sucesso na internet, Taylor ostra um cérebro (real) cortado ao meio, brinca com a massa marrom-clara e defende, como ninguém, a independência entre as partes esquerda e direita. A direita, diz ela, é a parte do nós, das intuições, das trocas de energias, da felicidade, da expansão da nossa consciência. A esquerda é a parte intelectual, do eu, introvertida, calculista, metódica, linear, é aquele diabinho que nos lembra as contas a pagar, nos põe medo na hora de enfrentar o mundo e que, por isto mesmo, nos faz sofrer. Quando acordou do pesadelo de quatro horas, Taylor, uma loira energética com voz de quem fala e é ouvida, sentiu uma extrema sensação de paz, euforia, como se não houvesse mais problemas no mundo. Humildemente, despediu-se da vida e preparou-se para o que ela chama de “transição”.<span id="more-2322"></span></p>
<p>Esta transição realmente chegou para a cientista formada e treinada por Harvard, uma das melhores universidades do mundo, mas não através da morte. Como teve de aprender a conviver com apenas metade das 50 milhões de células que harmoniosamente viviam no nosso cérebro – precisamente as da parte direita-, a experiência a levou a mundos que pouca gente conhece. “Vivemos e lutamos entre nós nos ego-caixotes da parte esquerda do cérebro, nos recusando a pensar que um mundo diferente é possível”, diz ela. “A benção que recebi desta experiência é que a paz interior é acessível a qualquer pessoa, em qualquer momento: tudo que temos de fazer é silenciar a voz que domina a parte esquerda”.</p>
<p>Hoje Jill dá a volta ao mundo contanto sua experiência. Mesmo com o sucesso repentino – já chegou a dar entrevista para a apresentadora Oprah Winfrey na TV norte-americana - continua dando aulas na Escola de Medicina da Universidade de Indiana, seu estado natal, e especializou-se na investigação pós morte do cérebro humano. Ela ainda é porta voz da Harvard Brain Tissue Resource Center, e consultora da Midwest Proton Radiotherapy Institute. Agora em maio foi escolhida pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.</p>
<p>Uma das partes mais fantásticas do vídeo é quando ela conta, em lágrimas, a briga entre partes direita e esquerda do seu cérebro durante as quatro horas de derrame. “Meu lado direito me dava fantásticas sensações de alegria e paz, enquanto que o esquerdo me chamava para a responsabilidade, me dizia: você está sofrendo um derrame, vá ao telefone e grite por socorro”. Após ter tido o seu cérebro danificado, e tendo de recorrer ao seu lado direito, ela pergunta à platéia se a deliberada escolha pelo lado direito pode ser feita por nós no dia-a-dia da vida.</p>
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		<title>De caso com a máfia</title>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2008 19:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Vida Americana]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" style="border: 0pt none; float: right; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/sopranos.jpg" alt="" width="158" height="188" />Seattle – Após assistir nas últimas semanas aos 86 episódios dos The Sopranos, da HBO, considerado o melhor seriado de todos os tempos da TV norte-americana, e também o que mais faturou, e ficar terrificado com o estilo de liderança do chefão Tony Soprano, dá vontade de jogar no lixo idéias holísticas, congruentes, participativas e outros modismos inventados pelos consultores em administração. O estilo “escreveu-não-leu-é-porrada-mesmo” de Tony, que faz análise e tem problemas com a mãe, mesmo depois dela ter morrido, obviamente tem seus exageros, como assassinatos e extorsões, mas é o que se vê, mutatis mutandis, no dia-a-dia das empresas nos Estados Unidos que freqüentam as primeiras posições da Fortune 500.</p>
<p>O Soprano da América Corporativa é uma espécie de cowboy que, em tempos de crise (ou seja, sempre), corta a emenda do feriado, suspende o cafezinho e liga para o sub-chefe domingo de manhã para saber o que ele está achando das coisas. Fala pouco, não é amigo, aparece em horas incertas, não gosta de responder (e sim perguntar), não reage no calor dos acontecimentos e presta atenção a tudo que ouve. Sorrisos esparsos, abre o saco de pancadas de uma só vez, e dá a mão depois que o subordinado já roeu todas as unhas. É astuto, sortudo, charmoso, de bem com a vida, aceita ouvir desaforos sem estourar os miolos e parece ser teleguiado por um sentido de missão, do tipo “não sabia que era impossível, portanto fui lá e fiz”. <span id="more-2317"></span></p>
<p>Tony é assim. É mais um bem-sucedido CEO da Cosa Nostra, organização criminosa que ao longo da sua história brindou o mundo empresarial com livros sobre eficiência e eficácia administrativa. O último que saiu é sobre Bernardo Provenzano, o chefão que, encarcerado, torna-se prolífico escritor de cartas. John Murray, que escreveu sua biografia Boss of Bosses, colheu dele sete regras essenciais para o mundo dos negócios: (1) Em tempos de crise, desapareça do radar. (2) Medite, seja calmo, correto e consistente, descubra o que há por trás das palavras e não confie em apenas uma fonte de informação. (3) “O chefão tem de aparecer como uma figura beneficente, tanto nos negócios como na vida pessoal, a fim de obter o consenso”. (4) Seja como um pastor, confiável e autoritário”. (5) Seja politicamente flexível. (6) Em caso de escândalo ou falência, distancie-se e não seja confundido com o caso em questão. (7) Seja modesto. Sempre.</p>
<p>Tony mete tanto medo que seu motorista pede-lhe desculpas por ter apanhado dele num de seus freqüentes ataques de fúria (acompanhados de desmaios de ataques de pânico). Tortura e mata como quem toma um cafezinho na esquina, faz sexo com metade do mundo, mas recolhe-se todas as noites à sua sacrossanta mansão, onde é pai e marido exemplar. O mundo gira à sua volta: ele recolhe, processa, tira o melhor proveito (90% para ele, o resto para o grupo) e distribui os dividendos salomonicamente. Todo mundo que lhe presta um favor tem um preço, uma gorjeta de 50 ou 100 dólares. Não existem amizades, existem interesses. Beija e abraça os inimigos, para depois encomendar-lhes a morte.</p>
<p>Os Sopranos são reprisados e alugados à exaustão na Blockbuster, principalmente por chefes que, no subconsciente, imaginam um mundo onde não têm que pedir tudo com delicadeza e carinho, para depois serem motivos de piada na rádio peão. Um mundo onde o bem e o mal surgem claramente, e não em zique-zague, um universo onde, infelizmente, alguns têm de ganhar, outros têm de perder. Os chefões é que decidem quem.</p>
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		<title>Os gringos estão ficando verdes</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 14:15:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seattle – Ao longo da sua existência, os Estados Unidos caíram, levantaram e sacudiram a poeira dezenas de vezes, transformando-se não só no país do futuro, mas no país que inventa o futuro. Agora que a gasolina beira os quatro dólares, o que faz o americano tirar do bolso às vezes mais de 100 dólares [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/usa_verde.jpg" alt="usa_verde.jpg" title="usa_verde.jpg" align="right" width="188" height="158" hspace="5" border="0" />Seattle – Ao longo da sua existência, os Estados Unidos caíram, levantaram e sacudiram a poeira dezenas de vezes, transformando-se não só no país do futuro, mas no país que inventa o futuro. Agora que a gasolina beira os quatro dólares, o que faz o americano tirar do bolso às vezes mais de 100 dólares para encher o tanque, a nação responsável por quase metade do PIB da Terra – e por isto mesmo a maior poluidora do mundo – mobiliza-se para reduzir o seu rastro de destruição na natureza.</p>
<p>A edição do The New York Times Magazine da semana passada, chamada de Low Carbon Catalog, numa alusão às dietas de baixa caloria, traz quase uma centena de lucrativas inovações verdes made-in-America. A melhor delas? Três empresas californianas que estão alugando caros e super-eficientes (US$ 40 mil em média por casa) painéis solares que podem ser instalados nas residências sem a ajuda de técnicos. O modelo de negócio é comparado ao que aconteceu com o setor de telefones celulares, cujos proprietários hoje “não precisam pagar 10 mil dólares pelo aparelho, ou mesmo construir, manter e reparar a rede de telecomunicações”.<span id="more-1389"></span></p>
<p>O país hoje funciona à base de um termômetro chamado preço de petróleo. Quanto mais sobe o preço do barril (já chegou a mais de 120 dólares), mais a corrida verde se intensifica. No melhor estilo “a necessidade é a mãe da inovação”, dezenas de venture capitalists que ganharam as burras na virada do século hoje investem em carros que fazem 300 milhas com um galão de gasolina, ou em academias de ginástica que literalmente tiram energia dos próprios atletas que utilizam as bicicletas ergométricas gerando iluminação ou calefação.</p>
<p>O mais interessante, no entanto, são as iniciativas do poder público. Reynolds, uma sonolenta cidade de Indiana, estava destinada a sumir do mapa, mas descobriu que poderia aproveitar a energia do cocô de mais de 150 mil porcos criados num raio de 15 milhas do centro do município. Com a ajuda da empresa Biotown, foram investidos cerca de 15 milhões num digestor que hoje provê metano, gás sintético e biodiesel. Em outras palavras, toda a energia que a cidade precisa vem da “porcaria”, gerando empregos e atraindo empresas.</p>
<p>Pode-se duvidar da viabilidade dos milhares de projetos verdes que nascem em todas as direções no país da inovação, mas quando se vê os grandes se mexerem a coisa muda de figura. Acredita-se, por exemplo, que o mercado de troca de carbono, no qual muita gente já está ganhando dinheiro, vá chegar a US$ 1 trilhão daqui a poucos anos. Daí a razão de bancos de investimento, empresas de energia, e até os chamados fundos de hedge, nomes de peso como GE, Goldman Sachs. JP Morgan e Chase, estarem lutando por este mercado.</p>
<p>Após entrarem numa guerra fratricida, exportarem empregos para países de mão-de-obra barata, passarem pelo furacão do governo George W. Bush, ainda ameaçados pelo poderia chinês, os Estados Unidos olharam para os lados de descobriram que, através do verde, tentarão de todas as formas se manterem como a maior potência mundial. </p>
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		<title>Voando com Richard Brason</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 18:48:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[San Francisco – Sou um dos felizes passageiros (poltrona 23B) da mais nova (e surpreendente) companhia aérea norte-americana, a Virgin America, que acaba de inaugurar o vôo entre Seattle e San Francisco, sobrevoando a maravilhosa Costa Oeste dos Estados Unidos. Seu dono, o bilionário britânico Richard Branson, um louco que semana passada deu entrevista sentado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/richard_branson.jpg" alt="richard_branson.jpg" title="richard_branson.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />San Francisco – Sou um dos felizes passageiros (poltrona 23B) da mais nova (e surpreendente) companhia aérea norte-americana, a Virgin America, que acaba de inaugurar o vôo entre Seattle e San Francisco, sobrevoando a maravilhosa Costa Oeste dos Estados Unidos. Seu dono, o bilionário britânico Richard Branson, um louco que semana passada deu entrevista sentado na privada de sua mansão numa ilha do Pacífico, não estava à bordo – mas tudo aqui em cima, como de resto em todos os seus negócios, faz lembrar o homem que, por onde passou, revolucionou o mundo empresarial.</p>
<p>Para começar, Sir Branson, hoje o 236º  homem mais rico do mundo, com quase US$ 7,9 bilhões no bolso, criou uma linha aérea num país onde é vetada aos estrangeiros a propriedade de linhas aéreas. Enfrentou reguladores, bateu de frente com os sindicatos, defendeu-se do lobby das concorrentes, criou uma intrincada estrutura societária, ganhou o apoio do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e&#8230; pimba: eis que a Virgin America está competindo com a Delta, America, Jet Blue, United e está ganhando. Por quê? A razão é simples: com o capitalismo de cabeça para baixo, não existem mais monstros sagrados. “Qualquer um pode colocar um avião no ar”,  reflete Samantha, a aeromoça da Virgin, “o que faz a diferença é oferecer um serviço melhor, mais bonito e barato”.<span id="more-1388"></span></p>
<p>Os aviões Airbus 320 da Virgin têm asas pintadas com a bandeira americana (suprema humilhação para os gringos), os pilotos se vestem de preto e as aeromoças, de vermelho, são prá lá de charmosas. As luzes da cabine lembram as luminárias roxas e azuis das discotecas da década de 70, mas causam uma incrível sensação de paz e conforto. O sistema de som é tão bom que dá para entender o inglês do piloto. As poltronas são de couro e há espaço para as pernas e para os cotovelos. As mesinhas de trás das cadeiras são de acrílico, possuem um compartimento só para copos e têm espaço suficiente para um laptop (com tomada e tudo) e o pratinho de tira-gostos. </p>
<p>Mas o surpreendente mesmo é a TV. Existem canais ao vivo para todos os gostos (pelo menos 25 filmes), ao lado de um detalhado mapa fornecido pela Google (via satélite), trezentas músicas em MP3, e um sistema de compras onde você insere o cartão de crédito (e de débito) e a aeromoça parece adivinhar seu pedido segundos depois. Ali, você pode escolher uma formidável seleção de vinhos, comidas exóticas de vários países, refrigerantes para os abstêmios, snacks, doces, chicles e muita coisa mais. De graça, só água. Por isto uma passagem entre Seattle e San Francisco custa somente cerca de 200 dólares.</p>
<p>A aviação, como se diz aqui, é o negócio mais sexy já inventado pelo homem, mas não se sabe porque é tão mal administrada, complicada e cheia de coisas sem sentido, congestionando aeroportos, cometendo erros grosseiros, gerando prejuízos em série e torturando a vida daqueles que ainda não tiveram sorte de ir de business ou de primeira classe. Branson, que ficou rico vendendo discos de vinil na década de 70, sabe disto e não se conformou. Invadiu o país na inovação com um serviço inovador, metade marketing metade eficiência, que ainda vai dar muito trabalho para quem está sentado nos louros.</p>
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		<title>Ser rico, aqui, está ficando constrangedor</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 20:47:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seattle – Estréia esta semana nos Estados Unidos o segundo – e mais polêmico ainda – documentário de Jamie Johnson, 29 anos, o premiado herdeiro da Johnson &#038; Johnson que está fazendo da sua vida uma luta para denunciar a única coisa que tanto os ricos quanto os pobres gostam: dinheiro.
“The One Percent”, apresentado sob [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/jamie_johnson.jpg" alt="jamie_johnson.jpg" title="jamie_johnson.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle – Estréia esta semana nos Estados Unidos o segundo – e mais polêmico ainda – documentário de Jamie Johnson, 29 anos, o premiado herdeiro da Johnson &#038; Johnson que está fazendo da sua vida uma luta para denunciar a única coisa que tanto os ricos quanto os pobres gostam: dinheiro.<br />
“The One Percent”, apresentado sob aplausos no TriBeCa Film Festival, é um documentário de 80 minutos sobre os desafios que os Estados Unidos enfrentam ao ter apenas um por cento da sua população controlando a metade da riqueza nacional.<br />
O filme apresenta o comentarista Robert Reich, Bill Gates Sr., Milton Friedman (que acusou Johnson de socialista e abandonou as filmagens) e alguns bilionários, contrabalanceando com cenas que mostram efeito do furacão Katrina sobre a população pobre do Sul dos Estados Unidos.<span id="more-1371"></span></p>
<p>Em 2003, Jamie, uma espécie de Michael Moore dos ricos, já tinha irritado seus amigos (e a própria família) ao lançar Born Rich, transmitido pela rede HBO. Na apresentação, frisou-se que documentário era “sobre os filhos dos ricos e dirigido por um deles”. </p>
<p>O herdeiro entrevista seus amigos e conhecidos sobre a experiência de viver sem restrições financeiras de nenhuma espécie. Fez tanto sucesso com a iniciativa que ganhou dois prêmios Emmy, incluindo melhor direção para não ficção, e uma aparição no programa de Oprah Winfrey na TV, onde foi entrevistado ao lado da neta do bilionário Warren Buffet, hoje o homem mais rico do mundo.</p>
<p>Depois de lançar “The One Percent”, Jamie sofreu ainda mais ameaças e acusações dos entrevistados e citados, inclusive da J&#038;J e de seu pai James Loring Johnson, que o acusaram de tê-los retratado injustamente. O cineasta, no entanto, descobriu, durante as filmagens, que seu pai tinha ajudado a custear um documentário sobre o apartheid e outras injustiças na África do Sul. À época, a reprimenda da família foi tão forte que seu pai jamais voltou a fazer filmes, preferindo pintar paisagens e ler o dia inteiro.</p>
<p>Numa entrevista ontem na NPR, Jamie Johnson revelou que o dinheiro, ou o excesso dele, sempre foi um tabu nas reuniões familiares. Seu pai costumava dizer: “Porque você está falando sobre dinheiro? Se alguém te perguntar sobre isto, diga que não é verdade, diga que não temos parentesco com a família que fundou a Johnson &#038; Johnson”.</p>
<p>Pessoas ricas, diz Jamie na NPR, geralmente relutam em falar sobre dinheiro, particularmente antigos milionários, aqui chamados Old Money, e WASPs (abreviatura em inglês para branco, anglo saxão e protestante). Mesmo assim, ele diz que este tabu nunca o intimidou. </p>
<p>“A fortuna da minha família está aumentado mais rápido do que nunca – somos parte de um pequeno número de famílias que tem a maioria da riqueza nacional -, mas ter-se tanto na mão de tão poucos não pode ser bom para a América”, diz. </p>
<p>O documentário contrapõe cenas de country clubes, seminários para se evitar a alta taxação do governo ou cursos de como ter acesso a presidentes da República, e cenas de deprivação, como Nova Orleans sendo inundada durante o furacão katrina.</p>
<p>Uma das melhores cenas é Jamie, com um microfone escondido, perseguindo seu pai num country clube e perguntando sobre o que ele achava da riqueza. Ele, perdendo a paciência, responde: “Eu não posso te dar todas as soluções para os problemas do mundo”. </p>
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		<title>O Robin Hood de Nova York</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Mar 2008 18:57:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Los Angeles – Se você anda desanimado com a vida, pensando que não nasceu para o mundo dos negócios ou para ficar rico, assista ao bilionário norte-americano Carl Icahn sendo entrevistado por Lesley Stahl no programa 60 Minutes, da CBS, (www.cbsnews.com/stories/2008/03/06/60minutes/main3915473.shtml), agora já disponível na internet.
O judeu nova-iorquino, hoje considerado o 46º homem mais rico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/carl_icahn.jpg" alt="carl_icahn.jpg" title="carl_icahn.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Los Angeles – Se você anda desanimado com a vida, pensando que não nasceu para o mundo dos negócios ou para ficar rico, assista ao bilionário norte-americano Carl Icahn sendo entrevistado por Lesley Stahl no programa 60 Minutes, da CBS, (<a href="http://www.cbsnews.com/stories/2008/03/06/60minutes/main3915473.shtml">www.cbsnews.com/stories/2008/03/06/60minutes/main3915473.shtml</a>), agora já disponível na internet.<br />
O judeu nova-iorquino, hoje considerado o 46º homem mais rico do mundo, com US$ 14 bilhões no bolso (e nas bolsas) e um estonteante escritório com vista para o Central Park, em Nova York,  está se tornando um Robin Hood dos pequenos acionistas insatisfeitos com as empresas nas quais depositaram suas poupanças.<br />
Icahn vai lá, compra a empresa, ou parte dela,  faz o pessoal levantar o traseiro da cadeira, acordar cedo, dormir tarde e, melhor ainda, gerar lucros. Depois, vende e embolsa a diferença. Na venda da BEA para a Oracle, levou US$ 300 milhões. Para os acionistas, US$ 3 bilhões.</p>
<p>“Vou ser direto: estou aqui para ganhar dinheiro – é o que eu gosto de fazer”, confessa ele, sem mudar o semblante, ao 60 Minutes. Obsessivo, viciado em trabalho, cabelo tapando a careca, Icahn tem uma equipe de 40 pessoas que, para não dizer o tempo todo, passam boa parte do dia e da noite pensando em empresas-alvo para seus negócios.<span id="more-1316"></span></p>
<p>Geralmente são algumas jóias da coroa, como a Motorola, ou o conglomerado Time Warner, ou a Blockbuster, que têm CEOs bonzinhos, que agradam a todo o mundo, e pensam nos negócios de uma forma, digamos, holística, familiar, sustentável e outras ondas do momento, mas que geralmente não conseguem fazer dinheiro. Icahn costuma chamá-los de morons, que significa pessoa idiota, estúpida, cujo retardo mensal equivale a uma criança de 8 a 12 anos. </p>
<p>Icahn aprendeu a ser cruel com o próprio pai, que não via nenhum futuro nele e o desprezava. Por exemplo, sem apoio algum, pagou seus estudos em Princenton (uma das melhores e mais caras universidades do mundo) com seu próprio dinheiro, proveniente em grande parte das rodadas de pôquer no campus.</p>
<p>Numa história pessoal única, só possível nos Estados Unidos, Icahn faz mais pelos acionistas (e são milhões deles aqui) do que muitos Bill Gates da vida já fizeram pelos necessitados. No entanto, muita gente, especialmente os CEOs e milhares de empregados demitidos em suas “faxinas” empresariais, o odeiam. </p>
<p>Na tarde em que deu entrevista para o 60 Minutes, os mercados financeiros estavam, como quase sempre nos últimos meses, derretendo. Icahn perdeu Us$ 150 milhões naquela tarde. No dia seguinte, recuperou tudo e ganhou mais um pouco.<br />
No programa, o bilionário confessou possuir iates e casas que raramente usa. Seu maior divertimento é chacoalhar as empresas e dar uma injeção de ânimo no capitalismo americano. </p>
<p>Carl Icahn é também um dos maiores filantropistas do país, um construtor serial de escolas para os habitantes pobres de Nova York, cidade onde nasceu há 72 anos e fez sua fortuna. O trabalho assistencial é feito por sua segunda e atual mulher, bem mais nova que ele. Por sinal, sua ex-assistente pessoal.</p>
<p>*Dirige a The Information Company nos Estados Unidos (pedro@theinformationcompany.net)</p>
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		<title>Um homem, muitas esposas</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Feb 2008 18:25:02 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle – Espremidos entre a crise econômica e as eleições presidenciais, os americanos estão vidrados num documentário de quatro horas produzido pela PBS, a TV pública, sobre os Mórmons. Suave, elegante, imparcial e extremamente bem feito, o programa conta a história da religião fundada pelo profeta Joseph Smith Jr. em 1830 numa fazenda de Nova [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/joseph_smith_jr.jpg" alt="joseph_smith_jr.jpg" title="joseph_smith_jr.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle – Espremidos entre a crise econômica e as eleições presidenciais, os americanos estão vidrados num documentário de quatro horas produzido pela PBS, a TV pública, sobre os <a href="http://www.pbs.org/mormons/">Mórmons</a>. Suave, elegante, imparcial e extremamente bem feito, o programa conta a história da religião fundada pelo profeta Joseph Smith Jr. em 1830 numa fazenda de Nova York, mostra os trabalho dos missionários (aqueles rapazes de gravata em camisas de mangas curtas que vagam pelas cidades), dá voz aos dissidentes, lembra seu poderio político (como, por exemplo, o ex-candidato presidencial republicano Mitt Romney), mas capta a atenção do público pela poligamia, justamente o assunto pelo qual eles não querem ser conhecidos – e nem lembrados.</p>
<p>Os adeptos da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, a religião que mais cresce no mundo, hoje com 13 milhões de seguidores, abdicaram da poligamia – ter duas, três, ou sabe-se lá quantas esposas – em troca da liberdade de credo já em 1890, quase 60 anos depois da sua fundação. Quando a praticaram, seguindo os preceitos de Joseph Smith Jr., foram mortos, humilhados, perseguidos, roubados, presos e tiveram que fazer uma façanha de proporções literalmente bíblicas: atravessar em carroças, enfrentando a neve, a fome e os índios, os milhares de quilômetros que separam Illinois, à beira dos Grandes Lagos, até a desértica Utah, no Oeste americano, onde fundaram Salt Lake City. Desde lá, seus dirigentes engolfam-se numa monótona panfletagem de relações públicas para separar o joio do trigo, no caso, a poligamia do mormonismo, sem sucesso.<span id="more-1143"></span></p>
<p>No documentário, a poligamia (ainda praticada por uma minoria de mórmons fundamentalistas, não oficialmente reconhecida como mórmons), é atribuída, entre outras explicações, ao próprio Joseph Smith Jr. (32 esposas), que a criou para satisfazer seus próprios instintos sexuais, inclusive em relação às esposas dos irmãos de fé. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Brigham_Young">Brigham Young</a> (52 esposas), seguidor de Joseph e tido como o gênio estrategista que liderou a travessia até Utah, era contra no início, mas, mesmo a contragosto, acabou adequando-se à norma.<br />
Mas o que surpreende é a versão das historiadoras convidadas para debulhar o sentido da poligamia no programa. Segundo elas, o fato de um homem ter várias mulheres servia também como diferenciação entre os mórmons e não mórmons – especialmente os protestantes. Na medida de suas possibilidades financeiras, os mórmons, que fazem da família (e da obediência) a mola mestra do seu culto, abrigaram em suas casas mulheres que, em outros cultos ou fora deles, teriam se perdido na prostituição, no abandono ou simplesmente na solidão depois de verem seus maridos morrerem, principalmente em guerras.<br />
Seja para satisfazer Joseph Smith Jr., seja para seguir os exemplos do Velho Testamento, “onde Abraão e outros personagens tiveram muitas esposas por mandamentos de Deus”, a poligamia está tão associada ao mormonismo como o radicalismo ao islamismo. Ela incendeia o imaginário coletivo, faz repensar os conceitos civilizatórios, a instituição do casamento e a relação entre os homens e as mulheres. Por mais que se digam coisas boas a respeito dos mórmons – e existem milhares delas, como em qualquer religião – as imagens que a mídia mostra – geralmente um homem mais velho, de chapéu e barbudo, ao lado de diferentes mulheres, de diferentes idades, carregando bebes em profusão– formam a percepção retida em nossas memórias.</p>
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		<title>Rudy, a próxima vítima</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jan 2008 16:57:08 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/rudy.jpg" alt="rudy.jpg" title="rudy.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle– Amanhã, quando forem abertas as urnas das eleições primárias da Flórida - um estado que até hoje está com a barra suja por ter dado a vitória a George W. Bush há sete anos - o ex-prefeito de Nova York Rudolph William Louis &#8220;Rudy&#8221; Giuliani estará com o coração na mão. O ex-manda-chuva da maior cidade americana, que montou a estratégia para tornar-se o candidato republicano em 2008 em cima das cinzas do ataque terrorista de 11 de setembro, jogou boa parte do dinheiro de campanha, em torno de 47 milhões de dólares, no estado favorito dos brasileiros, onde floresce Miami, a capital da América Latina.</p>
<p>Por que Guiliani, um ex-promotor público sobrevivente a um câncer de próstata e especializado em prender mafiosos na fria Nova York, deixou de investir em Iowa, New Hampshire ou na Carolina do Sul para ganhar os votos republicanos num estado tropical, sulista e cheio de imigrantes ilegais? Por uma simples razão: a Flórida é onde boa parte dos endinheirados nova-iorquinos vai se aposentar. Aos 64 anos, e sempre martelando a<br />
necessidade de ter um líder experiente para enfrentar crises, o que soa como mel no mamão para os idosos, Giuliani acredita que irá fazer sucesso lá. Ledo engano. As últimas pesquisas lhe dão um humilde terceiro lugar nas preferências dos republicanos na Flórida, atrás de John Mccain, o senador por Arizona torturado durante cinco anos no Vietnã, e Mitt Romney, o empresário mórmon que salvou as Olimpíadas de Salt Lake City do fracasso e tem 250 milhões de dólares no bolso.<span id="more-1139"></span></p>
<p>Saltar algumas primárias é uma prática comum entre os candidatos presidenciais norte-americanos, mas Giuliani comete três erros que, provavelmente, e se nenhum fato novo acontecer (e como acontece&#8230;) vão enterrá-lo politicamente. Tirar proveito da desgraça. Giuliani tornou-se o homem do ano de 2001 depois que, no apagar das luzes como prefeito de Nova York, liderou o atendimento de milhares de vítimas do ataque terrorista às Torres Gêmeas. Mas agora, depois de quase sete anos do ocorrido, o que muitos norte-americanos querem é esquecer as imagens mais tristes que o país registrou em dois séculos de existência. Ficar lembrando os aviões espatifando-se nos arranha céus não é muito atrativo para o eleitorado.</p>
<p>Nova York, afinal, não é os Estados Unidos. A cidade de 19 milhões de habitantes, considerada a capital do mundo, não reflete nem de longe a realidade norte-americana. É como tomar o pulso do eleitorado brasileiro pelos cariocas. Tabus como homossexualidade, divórcio, aborto e drogas são vistos como uma certa complacência pelos nova-iorquinos. Basta dar uma volta em Times Square.</p>
<p>Republicanos são conservadores. Não adianta Giuliani ser republicano de carteirinha quando casou três vezes, foi morar com um casal gay quando se divorciou a última vez e é tão liberal em relação ao aborto como uma feminista democrata. A onda conservadora nos Estados Unidos, agora que o país está se derretendo economicamente, continua firme e forte. Como se não bastasse, ainda existe um fantasma que povoa os sonhos de<br />
Giuliani. Vira e mexe, seu sucessor como prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, é citado para concorrer à presidência dos Estados Unidos como candidato independente. A política, seja em qualquer lugar, é uma atividade traiçoeira, mas está sendo impiedosa com Rudy.</p>
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		<title>Homem não chora. Mulher pode?</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jan 2008 18:17:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seattle– Depois de levar a primeira surra de sua vida, chegando em terceiro lugar no caucus de Iowa, a senadora Hillary Rodham Clinton, 60 anos, reuniu outras madames num café em New Hampshire e, entre cappuccinos e croissants, assustou a audiência quando, com voz embargada,  quase chorou. De mulher para mulher, e de frente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/hillary_clinton.jpg" alt="hillary_clinton.jpg" title="hillary_clinton.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle– Depois de levar a primeira surra de sua vida, chegando em terceiro lugar no caucus de Iowa, a senadora Hillary Rodham Clinton, 60 anos, reuniu outras madames num café em New Hampshire e, entre cappuccinos e croissants, assustou a audiência quando, com voz embargada,  quase chorou. De mulher para mulher, e de frente para as câmeras, desabou diante do cansaço, da pressão e da solidão da agitada campanha presidencial norte-americana.<br />
Não deu outra. A esposa de Bill Clinton, favorita nacionalmente, mas ainda rejeitada por metade dos americanos, mostrou seu lado mulher (coisa que se recusava a fazer na campanha) e, assim, reverteu o quadro, qanhando de virada as primárias do Estado, à frente dos outros democratas Barack Obama e John Edwards. O choro ganhou um editorial no The New York Times assinado pela feminista Gloria Steinem.<br />
Até hoje, depois de mais de dois séculos de independência, nenhuma mulher chegou perto de ocupar o Salão Oval da Casa Branca. A cadeira de presidente, como todos sabem, é quente: dá dores de cabeça, noites mal dormidas, pressões de todos os lados e muitas rugas. Repare nas fotos dos presidentes no decorrer dos mandatos. O tempo não faz bem a eles.<span id="more-1137"></span><br />
Hillary, se chegar lá, vai ter de provar que uma mulher sabe governar os Estados Unidos, pois, como diz Steinem, aqui o racismo de gênero sexual é maior do que o racial.  Ou seja, terá de ser um boa presidente, “apesar de ser mulher”.<br />
Hillary (ou qualquer outro candidato) vai encontrar um governo decadente, as finanças em frangalhos, uma guerra impopular e um partido Democrata dividido, embora (ainda) tenha maioria no Congresso. Vai ter que capturar Osama Bin Laden, fazer o papel de xerife do mundo, viver sob proteção do serviço secreto 24 horas por dia e, mesmo assim, estar bem vestida, maquiada e com o cabelo armado.<br />
Ter receio de uma presidente mulher soa estranho num país onde as mulheres simplesmente mandam. Independentes, já são maioria da força de trabalho, ganham mais do que os homens, invadem as universidades e têm vida econômica própria, sem ter que depender de qualquer outra figura masculina.<br />
Mas o fato é que os Estados Unidos (e a maioria dos países) nunca tiveram uma presidente mulher. Ao ver Hillary à beira de um ataque de nervos na TV, os americanos temeram que, ante outros aborrecimentos (e como presidentes os têm), qual seria sua reação? Reagir? Acomodar-se? Rir? Chorar? Afinal, diz Freud, o que se passa na cabeça de uma mulher?<br />
Hillary ainda tem 48 Estados (onde serão realizadas primárias) para testar suas emoções. Ela tem o maior caixa de campanha (quase US$ 100 milhões), uma estrutura espetacularmente profissional, o apoio do chamado establishment, a força dos eleitores de Nova York, onde já é senadora por dois mandatos, e o ombro do melhor e maior cabo eleitoral que se pode ter, o ex-presidente Bill Clinton, popular e querido não só nos Estados Unidos como em praticamente em todo o mundo.<br />
Hillary é inteligente, rica, bem sucedida como advogada, experiente na Casa Branca, onde passou oito anos ao lado do marido, um potencial de abrir uma nova frente para as mulheres a partir de seu exemplo e, como escreveu Gloria Steinem, ainda leva uma vantagem: não precisará provar sua masculinidade. E poderá, se quiser, chorar. </p>
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		<title>Greenspan: o livro do ano</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 16:27:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seattle– A correspondente da rede NBC em Washington, Andrea Mitchell, só percebeu que o sisudo Alan Greenspan estava lhe pedindo em casamento na terceira tentativa. O então presidente do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, o homem que com apenas uma ferramenta – a taxa de juros – governou os Estados Unidos (e por tabela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/alan_greenspan.jpg" alt="alan_greenspan.jpg" title="alan_greenspan.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle– A correspondente da rede NBC em Washington, Andrea Mitchell, só percebeu que o sisudo Alan Greenspan estava lhe pedindo em casamento na terceira tentativa. O então presidente do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, o homem que com apenas uma ferramenta – a taxa de juros – governou os Estados Unidos (e por tabela o mundo) durante duas décadas, falava por hipérboles, metáforas e analogias difíceis de decifrar, um hábito dos tempos em que dava recados aos mercados sem deixá-los em pânico ou, como gostava de comparar, mandava cortar a bebida alcoólica quando a festa começava a esquentar. </p>
<p>Andrea se casou com Alan e foram felizes para sempre. A esposa está sempre presente em sua autobiografia, um catatau de 520 páginas chamado “A Era da Turbulência – Aventuras Em Um Novo Mundo –, que  pode ser considerado o livro do ano de 2007 por uma razão: é um dos melhores livros de história escritos até hoje. Sob a batuta deste maestro, que com uma incrível capacidade de sobrevivência atravessou os governos Ford, Carter, Reagan, Bush, Clinton e Bush filho, o mundo assistiu a choques de petróleo, à queda do Muro de Berlim, ao fenômeno da Internet, a sucessivas falências de países (inclusive o Brasil) e, finalmente, ao ataque terrorista aos Estados Unidos em Setembro de 2001. <span id="more-1131"></span></p>
<p>O judeu nova-iorquino nascido em 1926 em Manhattan, cuja vocação inicial era ser saxofonista na banda de Glenn Miller, é nada mais que um amante de dados, planilhas, tabelas, relatórios ou tudo que contenha números. Tira as conclusões, de preferência, dentro da banheira, todos os dias de madrugada, o que provoca a ira dos assessores que lêem seus manuscritos borrados. Sua conclusão mais famosa é o da “exuberância irracional”, uma advertência sobre a bolha de ações da Internet que começou no dia 9 de agosto de 1995, quando foram lançadas as ações da Netscape, deixando seus donos milionários, e explodiu na virada do século. Greenspan tem uma posição dúbia a respeito do fenômeno pontocom: ao mesmo tempo em que criticava a irracionalidade do mercado, creditava a resiliência da economia norte-americana aos ganhos de produtividade promovidos pela tecnologia – comunicações e computadores invadindo as empresas.</p>
<p>Este é aspecto mais interessante da biografia de Greenspan. Como pode a maior potência industrial e econômica do mundo, os Estados Unidos, exportar praticamente todos os empregos para a China e outros países de mão de obra barata e, assim mesmo, manter uma economia de pleno emprego? “Hoje”, escreve o economista que se tornou milionário fazendo previsões econômicas para a indústria siderúrgica na década de 50, “os americanos mudam de emprego em escala verdadeiramente estupenda”. E é mesmo.  Numa força de trabalho de quase 150 milhões de pessoas, um milhão muda de emprego a cada semana – cerca de 600 mil por vontade própria, enquanto cerca de 400 mil são demitidos, quase sempre quando suas empresas são adquiridas ou reduzem o efetivo de pessoal. Ao mesmo tempo, um milhão de trabalhadores são contratados por outras empresas também a cada semana, à medida que se expandem os novos setores e se criam novos negócios. </p>
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		<title>Nem sexo, nem drogas, só rock and roll</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Dec 2007 20:28:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Los Angeles– O pastor batista Mike Huckabee, 51 anos, um “ex-viciado em comida” que perdeu 50 quilos em 60 dias e virou um menestrel das dietas, poderá ser o próximo presidente dos Estados Unidos. Ex-governador do Arkansas que nasceu na mesma cidade de Bill Clinton, Hope, Huckabee teve uma ascensão meteórica nas pesquisas de opinião [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/mike_huckabee.jpg" alt="mike_huckabee.jpg" title="mike_huckabee.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Los Angeles– O pastor batista Mike Huckabee, 51 anos, um “ex-viciado em comida” que perdeu 50 quilos em 60 dias e virou um menestrel das dietas, poderá ser o próximo presidente dos Estados Unidos. Ex-governador do Arkansas que nasceu na mesma cidade de Bill Clinton, Hope, Huckabee teve uma ascensão meteórica nas pesquisas de opinião nos últimos dias, batendo todos os outros candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência. </p>
<p>Os jornais atribuem a virada à religiosidade de Huckabee, o que cai como uma luva nos eleitores que, em matéria de política, preferem à Bíblia à Constituição. O homem é contra o aborto, o casamento homossexual e pesquisas com embriões humanos, embora não repita estes mantras da direita nos discursos e entrevistas. Ao contrário, ele parece um livro de auto-ajuda que se abre a cada questionamento dos eleitores ou dos jornalistas. Olhos nos olhos, voz firme, postura de vencedor, Huckabee prefere falar, por exemplo, do direito do cidadão em portar armas.</p>
<p>- A violência diminui quando o criminoso sabe que vai encontrar na próxima esquina um cidadão armado disposto a matá-lo, caso seja necessário, disparou ele outro dia.<span id="more-1125"></span></p>
<p>Huckabee nunca fumou ou bebeu. Depois de ter sido diagnosticado com diabetes em 2003 e ter sido avisado por seus médicos de que morreria no máximo dentro de 10 anos, fez regime, correu maratonas como de Nova York e, ainda, elegeu o perigo da obesidade como tema de seus dois governos no Arkansas. Lá, traindo outro mantra republicano, elevou os impostos e é criticado até hoje por isto. Como o ex-presidente e conterrâneo Bill Clinton, que pensava tocar saxofone, ele arranha uma guitarra em concertos de rock and roll. </p>
<p>O ex-governador do Arkansas estava, até um mês atrás, na lanterna das pesquisas de opinião, o que o deixava à míngua na arrecadação de recursos para a campanha. Gastou só passagem de avião para conquistar eleitores de Iowa, o Estado que hospedará o cáucus no dia 3 de janeiro e que é a porta de entrada para medir a preferência do eleitorado. Lá, seu oponente mais próximo no Partido Republicano, Mitt Romney, o ex-governador de Massachusetts que é mórmon e milionário, já gastou mais de US$ 10 milhões do próprio bolso para ganhar a simpatia dos eleitores conservadores. Em termos nacionais, o ex-prefeito de Nova York, Rudy Giulianni, é o preferido dos Republicanos, enquanto Hillary Clinton ainda lidera entre os democratas.</p>
<p>Huckabee é pós-graduado no seminário batista, mas resolveu entrar para a política quando ouviu um discurso do pai de todos os republicanos, Ronald Reagan, em agosto de 1980, num estádio de Dallas, Texas, ao lado de 15 mil evangélicos. “Todas as complexas e horrendas questões que confrontamos hoje em casa e no mundo tem as respostas em um simples livro”, disse o cowboy. Ali, segundo Huckabee, estava a gênese de todo o movimento cristão e conservador. Que, há mais de 20 anos, invadiu a política nos Estados Unidos. </p>
<p>Por esta e por outras a eleição presidencial norte americana vem sendo considerada uma das mais interessantes e importantes da história recente. Com base nas atuais pesquisas de opinião, poderemos ter uma mulher, um negro ou um pastor na Casa Branca. Já pensou como será o mundo a partir daí?</p>
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		<title>Já escolheu o homem (ou mulher) do ano?</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Dec 2007 16:32:46 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/homem_do_ano.jpg" alt="homem_do_ano.jpg" title="homem_do_ano.jpg" align="right" width="158" height="208" hspace="5" border="0" />Seattle– Desde 1927 a história se repete: a revista Time, a mais influente do mundo, escolhe o homem (ou mulher) do ano. A tradição nasceu do acaso. Em 1927, como em todos os anos, havia falta de notícias entre o Natal e o Ano Novo. Parece que o mundo descansa nesta época. Sem assunto, e para remediar o fato de não terem colocado na capa o herói daquele ano, o aviador Charles Lindbergh, o primeiro homem a cruzar o Atlântico de teco-teco, a premiação começou.</p>
<p>Os editores da revista sempre recusaram-se a considerar a capa do Homem do Ano como um prêmio. O perfil é do homem, ou mulher, ou casal, ou grupo, ou idéia, ou lugar, ou máquina que, para “melhor ou pior modificou os eventos de determinado ano”. Adolf Hitler ganhou em 1939, como você, isto mesmo, você, ganhou no ano passado por mudar o mundo através da Internet. De uns tempos para cá você pode votar eletronicamente, mas quem dá palavra final são os editores da Time.</p>
<p>Para 2007, os candidatos principais são J. K. Rowling (primeiro lugar), a autora do Harry Potter, que continua estourando nas paradas, seguida pelo Prêmio Nobel da Paz, Al Gore, o candidato negro à Presidência Barack Obama, a secretária de Estado Condoleezza Rice e o encrenqueiro Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã.<span id="more-1122"></span></p>
<p>Você pode votar no site www.time.com ainda em Steve Jobs, da Apple, que inventou o Iphone, o general David Petraeus (que milagrosamente está diminuindo a violência no Iraque), Hillary Clinton (continua imbatível nas preferências dos democratas para suceder George W. Bush), e Vladimir Putin, o manda chuva da Rússia.</p>
<p>Para o bem ou para o mal, mas geralmente para o bem, a capa do Homem do Ano parece ser um agradecimento da humanidade à pessoa que, na maioria das vezes, mudou o destino da Terra nos 365 dias anteriores. Ou nos últimos 100 anos, como Albert Einstein, escolhido pela revista como o Homem do Século (passado), uma intervalo na história que será lembrado para sempre pela ciência e pela tecnologia”.</p>
<p>A capa, como tudo nos Estados Unidos, sempre foi motivo de controvérsia. A tendência é obter a simpatia do eleitor elegendo gente que faz o bem. Osama Bin Laden, por exemplo, um homem que mudou o mundo para pior, foi desprezado pela revista em 2001, da mesma forma que Hitler foi deixado para trás como o homem mais importante do século. Contraditoriamente, o Ayatollah Khomeini, um ser visto como salvador pelos islâmicos, foi eleito em 1979 – e gerou protestos.</p>
<p>O evento também tem seus demônios. Na votação via internet em 2006, o presidente da Venezuela Hugo Chávez ganhou 35% dos votos, seguido por Nancy Pelosi, a falante presidente do Congresso norte-americano. Particularmente, votaria em George W. Bush, que já ganhou uma vez em 2004. Votaria pelo seu defeito (ou qualidade) principal, a teimosia. Contra a vontade dos outros seis  bilhões de habitantes da Terra, manteve (e mantém) uma guerra fratricida, impopular, num balaio empoeirado de gatos no Oriente Médio. Ele ainda não anunciou, mas tudo indica que o homem vai ganhar a Guerra no Iraque. JÁ ESCOLHEU O HOMEM (OU MULHER) DO ANO?</p>
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		<title>O que há de errado com o Citi?</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Nov 2007 17:19:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle- A história do Citigroup, um conglomerado financeiro nascido em 1812 em Nova York, é uma sucessão de escândalos de tráfico de influência e brigas de diretores, mas nada calou mais fundo entre os acionistas do que o prejuízo de US$ 11 bilhões no terceiro quadrimestredeste ano, resultado não só da crise das hipotecas nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/citi_group.jpg" alt="citi_group.jpg" title="citi_group.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle- A história do Citigroup, um conglomerado financeiro nascido em 1812 em Nova York, é uma sucessão de escândalos de tráfico de influência e brigas de diretores, mas nada calou mais fundo entre os acionistas do que o prejuízo de US$ 11 bilhões no terceiro quadrimestredeste ano, resultado não só da crise das hipotecas nos Estados Unidos, mas<br />
também da pura - e grandiosa - incompetência da sua direção.</p>
<p>O grupo, uma espécie de quartel general do capitalismo, é a maior empresa em ativos do mundo (quase US$ 2 trilhões), ostentando em seu currículo a popularização dos caixas eletrônicos e a introdução do conceito full service financeiro. Agora vem se juntar ao clube dos sem-lucro de Wall Street: Bear Stearns (prejuízo de US$ 450 milhões), Morgan Stanley (US$ 3,7 bilhões) e Merrill Lynch (US$ 7,9 bilhões).<span id="more-1120"></span></p>
<p>Desconta-se que o Citi é uma colcha de retalhos resultante de aquisições desde a sua criação. O que, por si só, representa um transatlântico ingovernável. Mas o que estava fazendo o CEO Charles Prince quando a crise das hipotecas pegou fogo em 2006 e foi derreter-se no verão norte-americano em meados deste ano? O homem ganhava quase US$ 30 milhões, opções de ações, prêmios semestrais, gratificações, clube de golfe, cartão de crédito, jatinhos e o beija-mão de toda a comunidade empresarial&#8230; e mesmo assim não<br />
fez nada?</p>
<p>Diz-se que os problemas encontrados nas grandes empresas são os mesmos que você enfrenta aí no dia a dia da sua firma. A diferença são os números. E foram justamente os números que derrubaram o Citigroup, em fórmulas do que eles chamam de colaterização de débitos hipotecários, uma coisa tão difícil de entender que, como diz o ditado, dá para desconfiar. Na hora do &#8220;vamos ver&#8221;, as explicações foram mais complicadas ainda. Enquanto todo mundo estava ganhando dinheiro tudo bem, mas agora que a ficha caiu, só Prince foi mandado para a casa.</p>
<p>Desde que ele foi defenestrado do cargo, o conselho de diretores está, agora, à procura de um comandante. Paga-se bem, mas o problema é que o cargo é uma cadeira quente: o novo CEO terá de manejar um barco de 332 mil funcionários e 200 milhões de contas correntes em cerca de 100 países. Cada canetada sua pode balançar os Estados Unidos, a começar pela Bolsa de Nova York, cujo índice Dow Jones o Citi compõe e influencia.</p>
<p>Na última semana, um atento analista recomendou vender as ações do Citi, já que a exposição do conglomerado aos mercados de crédito continua sendo preocupante, especialmente para o seu maior acionista individual, o príncipe Al-Walid Saud, o 13º homem mais rico do mundo e proprietário de 10 bilhões em ações, ou 4% do total.</p>
<p>A crise é de liderança, concluiu o The Wall Street Journal esta semana. Por isto o conselho de diretores está se reunindo para avaliar os sucessores de Prince, &#8220;que agora deve ser um rei&#8221;, brinca o jornal. O conselho conta com nomes influentes, como Richard Parsons, CEO da Time Warner, Franklin Thomas, ex-Ford Foundation, o ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton, Robert Rubin, que foi nomeado chairman depois que Prince foi convidado a se<br />
retirar, e o brasileiro Alain Belda, da Alcoa.</p>
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		<title>Deus está nos detalhes</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 18:22:07 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/mark_penn.jpg" alt="mark_penn.jpg" title="mark_penn.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle– Você sabia que, cada vez mais, jovens norte-americanos estão fazendo crochê? Que o judaísmo é a religião mais querida aqui? Que está havendo uma explosão de nascimento de pessoas canhotas? Que a população de solteironas nos Estados Unidos quase dobrou de 1970 a 2005? Que existem cerca de 30 milhões de pessoas tatuadas? Ou que um milhão de homens norte-americanos fizeram operação plástica em 2006? É um punhado de informação (ou cultura inútil) que a gente vê aqui e ali, e que até hoje não sabia que se tratava de uma microtendência, um termo inventado recentemente que está dando o que falar nos Estados Unidos.<br />
Tudo começou quando o especialista em pesquisas Mark J. Penn, hoje CEO da Burson-Marsteller, uma das maiores empresas de relações públicas do mundo, trabalhava para o então presidente Bill Clinton na Casa Branca, em 1996. Ele começou a perceber um fenômeno: mulheres brancas, casadas, moradoras dos afluentes subúrbios norte-americanos, devotadas aos filhos, estavam se tornando, muito mais do que os maridos, uma força política expressiva. Um detalhe que passava desapercebido nas pesquisas.<span id="more-1112"></span><br />
Penn as apelidou de “soccer moms”, não no sentido literal de mães de futebol, mas aquele tipo de mulher atribulada que leva os filhos de atividade em atividade, em carrões espaçosos, e que até então, pensava-se, estavam indefinidas politicamente. Clinton entendeu a mensagem, levou o assunto a sério e prometeu medidas que lhes agradavam, como coibir o tabaco entre os adolescentes, obrigar escolas a fazer testes de detecção de drogas e leis que limitam a violência na TV. Acabou se reelegendo com a ajuda delas.<br />
Penn escreveu um livro sobre estes pequenos e intensos grupos que têm suas próprias necessidades e raramente aparecem no radar de marqueteiros, varejistas, publicitários, jornalistas ou quem quer influenciar os hábitos da sociedade. Junto com E. Kinney Zalesne, que também serviu na Casa Branca, lançou Microtendências –As Pequenas Forças por Detrás das Grandes Mudanças do Amanhã –, que não sai da lista dos mais vendidos do The New York Times desde setembro.<br />
O livro reúne 75 microtendências em assuntos tão díspares quando amor, trabalho, religião, saúde, vida familiar, política, dinheiro, educação, lazer, moda e dietas. São coisas que gente, por assim dizer, não sabia que sabia. Por exemplo, que embora nasçam mais meninos que meninas, há falta de homem no mundo. Adolescentes machos morrem mais do que adolescentes fêmeas, enquanto que a população de gays homens é o dobro de mulheres lésbicas, pelo menos nos Estados Unidos.  Ou que está explodindo o número de aposentados que, por terem uma vida mais longa ou por não gostarem de ficar em casa, continuam trabalhando.  Ou ainda que está aumentando o número de pais-avós, que têm filhos depois de fazer o  55º  aniversário.<br />
A conclusão é que hoje em dia o mundo não age monoliticamente, mas é uma coleção de pequenos pontos que precisam ser juntados, e examinados, um a um. O mundo virou um grande Starbucks, onde cada um dos milhões de clientes que entra em suas 13 mil lojas é tratado pelo nome e pode escolher uma das 11.735 mil variedades de café, chá ou outra bebida qualquer.  Cada um é cada um ou, como se diz, cada caso é um caso. Deus está nos detalhes.</p>
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		<title>Cortando a barba e os custos</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Sep 2007 12:00:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle- Quando o inventor norte-americano King Camp Gillette inventou o aparelho de barbear com lâminas descartáveis, em 1901, transformou o até então perigoso e delicado ato de fazer a barba, restrito às barbearias e a alguns familiares de plantão, em um hábito tão popular feito escovar os dentes.
A jogada de mestre, no entanto, não estava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/james_kilts.jpg" alt="james_kilts.jpg" title="james_kilts.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle- Quando o inventor norte-americano King Camp Gillette inventou o aparelho de barbear com lâminas descartáveis, em 1901, transformou o até então perigoso e delicado ato de fazer a barba, restrito às barbearias e a alguns familiares de plantão, em um hábito tão popular feito escovar os dentes.<br />
A jogada de mestre, no entanto, não estava na invenção em si, mas na possibilidade de vender um produto abaixo do custo, o aparelho de barbear, para fazer com que os consumidores pagassem mais pela lâmina, mantendo-os fiéis ao longo dos anos.<br />
Este conceito, chamado aqui de loss leader, foi a mola mestra do sucesso não só da Gillette, vendida em 2005 à Procter &#038; Gamble por US$ 54 bilhões de dólares, mas também de muitas marcas que atraem  o consumidor através de produtos baratos, como a impressora à jato de tinta, para depois retê-los através dos caros cartuchos.<br />
Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo, investiu na Gillette por acreditar que jamais haverá um dia em que o homem não se levante, passe a mão na cara e sinta a necessidade de tirar aqueles pelos que significam, no mundo de hoje e com o perdão do “companheiro” Fidel,  desleixo e falta de asseio pessoal.<br />
Mas quando o CEO James Kilts chegou à empresa em 2001, o primeiro executivo de fora da corporação em mais de 70 anos, encontrou um negócio que tinha uma grande marca, mas que, por inatividade, estava perdendo a participação de mercado.<span id="more-1106"></span><br />
Jim, como é chamado, se assustou com prejuízos em mais de 15 quadrimestres consecutivos, as ações em baixa e Wall Street perdendo a paciência, como revelou em seu livro de memórias “Doing What Matters”, recém lançado nos Estados Unidos.<br />
Já famoso e realizado depois de fazer um bom trabalho na Kraft e na Nabisco, Jim tinha diversas opções: ver-se livre de recentes aquisições, como a Duracell e a Braun, sair do negócio de personal care , só manter os aparelhos e as lâminas de barbear, ou simplesmente jogar a toalha e entrar num acordo com os bancos credores.<br />
Segundo Kenneth Roman, ex-CEO da Ogilvy &#038; Mather que recentemente fez uma resenha do livro de Jim para o The Wall Street Journal, o homem escolheu o caminho mais difícil.<br />
Apoiado por seu time de executivos e por seus “mentores”, introduzira uma política chamada Zero Overhead Growth (ZOG), que busca controlar os custos e investir o que sobrar em pesquisa, desenvolvimento e&#8230;. marketing.<br />
A vontade férrea de fazer do corte de custos um meio de vida (os Estados Unidos foram reeleitos semana passada campeões de produtividade entre todos os países do mundo) faz lembrar, segundo o autor do artigo, o mantra do setor de semicondutores: o preço da sobrevivência é cortar 20% dos custos todos os anos – e para sempre.<br />
Mas Jim foi além do corte de custos, e preparou a empresa para se manter uma eterna saúde. Inventou um programa chamado de Excelência Funcional, no qual preconiza a iniciativa de fazer o melhor, com máximo desempenho, pelo menor custo, que segundo os críticos significa simplesmente demitir gente.<br />
Aos poucos, diz Jim em sua biografia, o pessoal começou a gostar dos benefícios de uma cultura que permanentemente combate o supérfluo e desnecessário. Depois de dois anos, quando sentiu que a turma já estava amestrada neste mantra, Jim lançou mais um projeto, o Total Innovation, um programa contínuo de melhorias e inovações, inclusive de produtos que mudariam para sempre a face do mercado, como o Mach 3 e o Sensor.<br />
Em sua biografia, o executivo, como todo vencedor que se preza,  comemora os resultados. As vendas cresceram 5% depois de seu primeiro ano no posto, 10% no segundo ano e continuou aumentando, fazendo com que a ação da Gillette subisse 20% entre 2001 e 2004, chamando a atenção da gigante Procter &#038; Gamble, que comprou a empresa e a elegeu como uma linha de seus produtos.<br />
Já o inovador King Gillette, que deu início a este colosso empresarial e transformou seu nome na marca recorrente de aparelhos de barbear, morreu pobre e falido em Los Angeles, na Califórnia, em 1932, depois de investir dinheiro em imóveis e ter perdido quase tudo durante a Grande Depressão.</p>
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		<title>Mulher é ruim para fazer conta?</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Sep 2007 12:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Vida Americana]]></category>

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		<description><![CDATA[Seattle– Nada disso. Cada vez mais a ciência comprova que ser bom em matemática, ou no “alfabeto com o qual Deus construiu o Universo”, como dizia Galileu Galilei, independe do sexo.
Mas a atriz Danica McKellar, a doce Winnie Cooper do seriado Tempos Incríveis, exibido no Brasil pela Rede Cultura, a cada dia encanta os americanos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/danica_mckellar.jpg" alt="danica_mckellar.jpg" title="danica_mckellar.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle– Nada disso. Cada vez mais a ciência comprova que ser bom em matemática, ou no “alfabeto com o qual Deus construiu o Universo”, como dizia Galileu Galilei, independe do sexo.<br />
Mas a atriz Danica McKellar, a doce Winnie Cooper do seriado Tempos Incríveis, exibido no Brasil pela Rede Cultura, a cada dia encanta os americanos com o livro “A Matemática Não é Chata”, escrito de princesa para princesas para convencê-las de que o reino dos números é também coisa de mulher.<br />
McKellar, que já foi tão ruim em matemática como boa parte da humanidade, viveu tempos incríveis na sala de aula quando, de repente, dava branco na cabeça, o coração palpitava e rezava para que o sino do recreio acabasse com a tortura de uma, digamos, raiz quadrada.<br />
Até que um professor apareceu e deu exemplos práticos de matemática no dia-a-dia para que ela aprendesse a lição. Foi a faísca para que explodisse sua genialidade numérica, a ponto de, mesmo com carreira de atriz, ter sido autora de um tal de Chayes-McKellar-Winn, um teorema impossível de descrever aqui, pois nem eu nem você, paciente leitor, entenderíamos bulhufas.<span id="more-1105"></span><br />
Muita gente pensa que, com o advento da calculadora de mão, a matemática poderia ser extinta dos currículos escolares, a exemplo da Química (já experimentou decorar a tabela periódica dos elementos?) ou da Física, cuja beleza estava na frase “a toda ação corresponde uma reação igual e contrária”, muito útil nos embates da vida.<br />
Mas a matemática, que trabalha com conceitos de quantidade, estrutura, espaço e mudança, é cada vez mais utilizada numa miríade de profissões que envolvem o reconhecimento de padrões em números, computadores, abstrações ou qualquer coisa que exista.<br />
Ou seja, como num jogo de xadrez, leva as pessoas a pensar adiante, lidar com possibilidades, reconhecer erros e corrigi-los imediatamente (“meu segredo de sucesso”, segundo Bill Gates), criar programas de computador que imitam o celebro humano ou simplesmente calcular a gorjeta na mesa de um bar.<br />
Mais ainda, a matemática vem sendo lugar comum nas entrevistas de emprego aqui nos Estados Unidos, onde se pergunta para o candidato “(1) quantas bolinhas de golfe cabem num ônibus escolar”, “(2) quanto você cobraria para lavar todas as janelas de Seattle” ou a pegadinha criada pela Microsoft ainda nos anos 90: “(3) - quantos postos de gasolina existem no Brasil?”. A idéia é saber se o candidato consegue pensar e, em caso positivo, se o faz com um mínimo de racionalidade.<br />
Danica McKellar, hoje aos 32 anos, devolve a dádiva que recebeu do professor talentoso distribuindo-a para milhões de meninas nos Estados Unidos, que estão naquela idade em que não sabem se a herdeira Paris Hilton é um modelo a ser seguido ou evitado. E que, vez por outra, se sentem pressionadas pela escola ou pelos pais para resolver, desculpem o trocadilho, esta equação.<br />
Seu livro, que tem como subtítulo “Como sobreviver à matemática na escola sem perder a cabeça ou suas unhas”, está sendo consumido aos borbotões por meninas desesperadas e mães atribuladas. Recheado de rosa e rosas, traz dicas para o dever de casa, os testes bimensais e, melhor ainda, exemplos reais, como entender as percentagens para as garotas se darem bem no Shopping Center ou proporções, de forma a torná-las excelentes chefs de cozinha.<br />
O resto é entremeado com horóscopos, truques, enigmas, charadas, testemunhos de outras garotas e, principalmente, os resultados certos, que podem ser encontrados no site www.danicamchellar.com.<br />
Fazer com que as garotas amem a matemática pode mudar a realidade profissional dos Estados Unidos, diz a pesquisadora Patricia Campbell, que avalia programas de matemática e ciência para a National Science Foundation. Apesar de milhões de dólares que estão sendo gastos em programas educacionais, os homens ainda vencem as mulheres em profissões essencialmente “matemáticas”, como engenharia.<br />
-Nós levamos as meninas a encararem a matemática. Depois a usá-la. Agora teremos que fazê-las a amarem, diz Campbell.<br />
O primeiro passo, como se vê, é ler o livro de Danica McKellar e responder corretamente às perguntas.<br />
*Respostas: 1- 500 mil, assumindo que o ônibus que o interior do ônibus mede 20 bolas de altura, 50 de largura e 200 de cumprimento. 2.- Assumindo que Seattle tem 10 mil quarteirões, 600 janelas por quarteirão, e a 20 dólares por hora, em torno de US$ 10 milhões. 3.- 43 189 postos.</p>
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		<title>Advogados a mil dólares por hora</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Sep 2007 17:13:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seattle- A eleição na semana passada do advogado de Seattle William Neukom como presidente da poderosa American Bar Association, uma espécie de OAB dos Estados Unidos, está sendo vista aqui como o coroamento de uma profissão que, embora cercada de criticismo, está fazendo a fortuna de muita gente e hoje é uma das carreiras mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/william_neukom.jpg" alt="william_neukom.jpg" title="william_neukom.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle- A eleição na semana passada do advogado de Seattle William Neukom como presidente da poderosa American Bar Association, uma espécie de OAB dos Estados Unidos, está sendo vista aqui como o coroamento de uma profissão que, embora cercada de criticismo, está fazendo a fortuna de muita gente e hoje é uma das carreiras mais desejadas no mundo ocidental.<br />
Gravata borboleta e cabelos grisalhos, o novo presidente da ABA, sócio do pai de Bill Gates (K&#038;L Gates) e filantropo, fez fortuna trabalhando como advogado da Microsoft durante 25 anos. Neste quarto de século, construiu as trincheiras para que a empresa resistisse às acusações de monopólio, plágio ou qualquer destes petardos contra quem lidera (ou monopoliza) o mercado.<br />
Com discurso tranqüilo e infalível de quem está ao lado da lei (vale à pena ver a posse na internet) Newkom não falou das fortunas que os advogados estão embolsando. Político, criticou as recentes leis que limitam a privacidade dos americanos e a demissão de nove procuradores que não rezavam na mesma cartilha republicana do presidente.<span id="more-1104"></span><br />
Newkom representa uma associação de mais de 400 mil advogados norte-americanos, a maior de todo o mundo, que, nos últimos tempos, tornou-se (mesmo a contragosto, pois advogado gosta de ser conhecido como homem das leis e não como empresário) óleo da engrenagem capitalista. Aqui, advogado é tão fundamental quanto médico, embora as receitas por vezes não garantam ficar livre do encarceramento e da perda dos bens.<br />
País do litígio, onde a maioria dos filmes termina em julgamento e onde se assina contrato até para serviços de encanador, os Estados Unidos possuem um exército de meio milhão de advogados que brotam do chão ao mínimo sinal de que você, sua empresa ou seu animal de estimação provocou dano em alguém – ou vice-versa.<br />
Aqui não existem rígidos limites impostos pelas ordens dos advogados para o marketing da profissão. As sociedades de advogados investem milhões de dólares em anúncios de 30 segundos em rede nacionais de TV (“você tem alguma doença relacionada com telhas de amianto?) ou em outdoors nas auto-entradas ( “se você se sente lesado em qualquer coisa que seja ligue para 0800-LAWYER”). A própria American Bar Association coloca em seu site manuais de marketing para advogados.<br />
Boa parte deste exército, no entanto, é composta de soldados rasos – advogados que ganham cerca de US$ 54 por hora, ou em média US$ 113,6 mil por ano, segundo o Department of Labour, o equivalente ao nosso Ministério do Trabalho. Mas se você trabalhar duro, seguir as regras e pagar os impostos, como diz o mantra do capitalismo norte-americano, pode cobrar bem mais.<br />
Na semana passada, por exemplo, foi quebrado um tabu que rondava esta profissão abraçada por 25 dos 43 presidentes norte-americanos até hoje: a hora dos advogados top ultrapassou US$ 1 mil, o que garantiu a primeira página do The Wall Street Journal para uma turma de profissionais relutantes em confirmar as faturas de quatro dígitos. Mesmo a contragosto, pelo menos três sociedades de advogados confirmaram os números: Simpson Thacher &#038; Barlett, Cadwalader, Wickersham &#038; Taft, e Fried , Frank, Harris, Shriver &#038; Jacobson LLP, as três de Nova York.<br />
Nos Estados Unidos ganhar bem não é motivo de vergonha – pelo contrário, se você ganha bem é porque vale quanto pesa. Mesmo assim, o mais famoso advogado americano, David Boies, da Boies, Schiller &#038; Flexner LLP, (“a litigation powerhouse”) ponderou: “É um pouco difícil imaginar qualquer pessoa que não salve vidas valer este dinheiro”. Outro advogado novaiorquinho, que preferiu não se identificar, foi mais direto: “nós advogados relutamos muito tempo em ultrapassar a barreira dos mil dólares porque achamos que nossos clientes simplesmente vomitariam”.<br />
Entre os grandes escritórios de advocacia, a hora trabalhada pelos advogados vinha subindo em média de 6 a 7% anualmente desde o ano 2000 até chegar ao máximo de mil dólares atuais, embora às vezes possam ser incluídas “taxas de sucesso” que elevam os rendimentos dos attorneys a níveis estratosféricos.<br />
 “Mil dólares por hora tem um significado simbólico”, diz Robert Rosenberg, da Latham &#038; Watkins LLP. “Como o ano 2000, é apenas um número”.  E é mesmo. Quem acompanha a economia americana se assusta com aquisições (ou prejuízos) de dezenas de bilhões de dólares. “Se um jogador de beisebol chega a ganhar 15 mil dólares por hora, é razoável que advogados de renome que resolvem problemas complexos cheguem a ganhar mil dólares por hora”, diz Mike Dillon, advogado da Sun Microsystems.</p>
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		<title>Como conquistar o investidor americano - Parte 1</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Aug 2007 22:46:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seattle – Atenção empresários, empreendedores, sonhadores e aventureiros. Mesmo com os mercados financeiros degringolando mundo afora, calcula-se que os Estados Unidos investirão este ano cerca de US$ 60 bilhões em novos negócios ou em projetos que precisam de um empurrãozinho para fazer sucesso.
Desde a bolha da Internet, no fim do século passado, nunca houve tanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/gringo_1.jpg" alt="gringo_1.jpg" title="gringo_1.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle – Atenção empresários, empreendedores, sonhadores e aventureiros. Mesmo com os mercados financeiros degringolando mundo afora, calcula-se que os Estados Unidos investirão este ano cerca de US$ 60 bilhões em novos negócios ou em projetos que precisam de um empurrãozinho para fazer sucesso.<br />
Desde a bolha da Internet, no fim do século passado, nunca houve tanto dinheiro disponível para fazer um website que vai revolucionar a interação entre as pessoas, uma usina que vai transformar lixo em energia ou um remédio que vai curar os nossos males, entre outras idéias que, por vezes, podem torná-lo bilionário.<br />
Os gringos, como vocês sabem, quando se lembram de nós, nos vêem como uma ilha longínqua e paradisíaca, abatida por violência e corrupção e presidida por um ex-operário.<br />
Quem nos conhece mais de perto nos considera desorganizados, não confiáveis (chegar na hora, terno-e-gravata, planejar com antecedência etc.) e não entendem o português ou muito menos o inglês que pensamos que falamos. Em resumo, têm tolerância zero para desculpas esfarrapadas.<br />
Portanto, antes de conquistar os corações (e os bolsos) dos investidores, aqui vão algumas recomendações para seu projeto brilhar no coração do capitalismo.<span id="more-1090"></span><br />
<strong>Faça o plano de negócios</strong>. O business plan é a bíblia do mundo empresarial americano. Descreva o problema, a solução, o tamanho do mercado, prováveis clientes, a estratégia de vendas, parceiros, o modelo de negócios, os competidores (se não houver competidores é porque o negócio não presta) e quem vai administrar. Depois adicione uma planilha Excel com números que façam sentido (e que impressionem) e, por último, apresente a proposta, de preferência irrecusável.  Faça a versão para o inglês, edite de uma forma elegante e revise dezenas de vezes. Um errinho (principalmente de inglês) é fatal. Não se esqueça de fazer um resumo que fisgue o investidor em não mais de 10 minutos (veja gráfico).<br />
<strong>Tenha um representante nos Estados Unidos</strong>. Mesmo com o advento do Skype, MSN, videoconferência ou algo que o valha, investidor quer ver o olho de quem ele vai apostar o seu rico dinheirinho. Pode ser uma empresa especializada, um consultor ou até aquele primo de terceiro grau do seu cunhado que se mudou para cá há dez anos, desde que ele (ou ela) fale inglês como português, entenda de números e conheça o estranho palavreado do mundo dos investimentos (uma boa dica é começar pela palavra “equity”). Grande parte dos prováveis negócios entre os dois países falha porque, devido à distância, uma das partes esquece, se desinteressa ou tem preguiça de fazer o follow up. Pague o justo (existem todos os tipos de preços) e, no máximo, ofereça  bônus caso o negócio dê certo. Os consultores daqui costumam fazer dos Estados Unidos um bicho de sete cabeças, mas eles estão blefando a maior parte do tempo. Os americanos são como nós, só que fazem o dever de casa.<br />
<strong>O ideal é ter um pé aqui</strong>. O melhor dos mundos, no entanto, é que você tenha uma filial aqui que possa servir de interlocutora. Hoje em dia, o investidor não quer apenas depositar o dinheiro na conta, mas sim participar ativamente do processo, colocando a mão na massa ou metendo o bedelho através dos chamados conselhos de administração, ou boards. Como estar longe dos olhos é estar longe do coração, os empreendedores daqui, mesmo que não tenham idéias tão geniais quanto a sua, acabam levando vantagem e  comendo o maior pedaço do bolo.<br />
<strong>Em Roma, como os romanos</strong>. Notícias sobre corrupção, violência, caos aéreo etc. deixam o investidor americano, que tem medo até da sombra, inseguro. Pode parecer conversa de Polyana, mas eles acham que fazer negócios corretamente não é apenas a melhor maneira de fazer negócios, mas a única forma. Por que aqui, caso você não jogue sob as regras, como eles dizem, há uma grande chance de você ir para a cadeia ou simplesmente ser expulso e nunca mais voltar ao mercado.  Portanto, seja transparente. Mostre que você acorda cedo e dorme tarde, que os funcionários estão unidos e entusiasmados e que os clientes estão batendo à porta.  Planeje e execute a longuíssimo prazo.  Planilhas Excel semanais e coloridas com todos os números do negócio são recomendáveis. Ao contrário de nós, os americanos detestam surpresas.</p>
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		<title>Produtos chineses? Não, obrigado</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Aug 2007 23:00:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Está certo que um entre cada cinco seres humanos seja chinês, que precisa comer, se vestir, ganhar dinheiro e criar filhos. Mas é injusto que o progresso da China esteja sendo feito à custa da estagnação econômica e social em países pobres como o Brasil, México e outros que também possuem mão de obra iletrada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/china_02.jpg" alt="china_02.jpg" title="china_02.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Está certo que um entre cada cinco seres humanos seja chinês, que precisa comer, se vestir, ganhar dinheiro e criar filhos. Mas é injusto que o progresso da China esteja sendo feito à custa da estagnação econômica e social em países pobres como o Brasil, México e outros que também possuem mão de obra iletrada, barata e disponível.<br />
Os Estados Unidos ainda não se mexeram porque boa parte do seu débito, cerca de US$ 4,9 trilhões, está nas mãos dos chineses, que por não possuírem proteção do Estado poupam em média 45% do que ganham. E, também, porque podem rodar a maquininha de fazer dólar e são criativos para criarem novas necessidades e novos empregos, como se viu nos últimos anos com o advento da Internet.<br />
Aqui, no entanto, está fazendo sucesso um livro da jornalista Sara Bongiorni, <em>A Year Without &#8220;Made in China&#8221;: One Family&#8217;s True Life Adventure in the Global Economy</em>, relato da experiência de uma família que ficou um ano sem consumir qualquer produto (ou ingrediente, ou peça ou qualquer coisa) chinês. Bongiorni não chegou a passar fome, mas de repente ficou sem cafeteira, sem televisor e sem muitas outras coisas porque simplesmente, como se sabe, a China virou a fábrica do mundo.<span id="more-1088"></span><br />
Só que esta fábrica está vendendo produtos que podem trazer grandes riscos para a saúde e, até, matar consumidores de pastas de dente, bicicletas, pneus, tiragostos e até comida para animais de estimação. Pelo menos seis agências federais norte-americanas estão lutando para avisar os desavisados (www.recalls.gov). Além de produtos envenenados , aqui vão outras razões para evitarmos artigos chineses.<br />
A China é uma ditadura. É mesmo, e das piores. É impossível calcular o número de dissidentes que mofam em suas prisões porque ousaram ser livres. Não há direito de expressão, organização, religião, voto, trabalho etc. É um comunismo hipócrita onde nove entre cada dez milionários são dirigentes da camarilha que se instalou no poder desde Mao Tse Tung. Há fatos que soam bem aos ouvidos de muita gente, como corruptos levando balas na cabeça em estádios (e a família tem de pagar pela bala) mas, para quem viveu sob ditaduras, liberdade (com justiça) é tudo.<br />
A China destrói a natureza. Segundo a Organização Mundial da Saúde, sete em cada dez cidades mais poluídas do mundo estão na China. Vários estudos estimam que a poluição custe à economia chinesa cerca de 10% do Produto Interno Bruto. Desde 2002, o número de reclamações às autoridades do meio ambiente aumenta 30% ao ano, chegando a 600 mil em 2004.  Com uma economia baseada na queima de carvão, há cidades onde é difícil respirar.<br />
A China utiliza mão de obra escrava. Um empresário de Seattle fabricava artigos aqui pagando mil dólares para o trabalhador norte-americano. Mudou-se para o México nos anos 90 pagando 125 dólares para cada empregado. Agora, paga 25 dólares por mês aos chineses. Está achando caro e por isto está procurando uma forma de se estabelecer no Vietnã. Com esta exploração da mão de obra, Karl Marx deve estar se revirando no túmulo.<br />
A China é a rainha da pirataria –  Chegam a cúmulo de copiar carros, como o Chevy, da General Motors. A principal atração turística de Pequim não é a Cidade Proibida, mas um mercado de quinquilharias chamado Pearl Market, um prédio de seis andares onde se pode comprar todas as “marcas” famosas. O governo se gaba de ter reduzido a pirataria de softwares de 92 para 82%. Está certo que os piratas e contrabandistas, como dizia o finado Roberto Campos, são os heróis do capitalismo, mas sem direitos autorais não há invenções.<br />
A China é corrupta – Somente em 2006 cerca de 60 mil funcionários do governo foram presos por corrupção. Há pouco tempo, o diretor do FDA chinês, Zheng Xiaoyu, foi executado por aceitar propinas no valor de US$ 850 mil de oito companhias farmacêuticas para aprovar remédios que levaram à morte mais de 10 pessoas. Em 2007 chineses já foram obrigados a fazer recall de vários produtos nos Estados Unidos, especialmente na área de comidas de animais e brinquedos infantis.<br />
É certo que a China está demonstrando ao mundo que os produtos e serviços podem ser feitos ou ofertados por um preço ínfimo, criando um novo paradigma que muita gente chama de leilão reverso. Se países que respeitam as regras do livre mercado não reagirem, a China vai acabar com as possibilidades de sermos, um dia, uma nação desenvolvida – e democrática.</p>
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		<title>Como demitir controladores de vôo</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Aug 2007 17:26:05 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/reagan.jpg" alt="reagan.jpg" title="reagan.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle – Há exatos 26 anos, o então presidente Ronald Reagan desceu aos jardins da Casa Branca para bater o martelo: se cerca de 13 mil dos 17,5 mil  controladores de vôo do Professional Air Traffic Controllers Organization (PATCO) não voltassem ao trabalho em 48 horas, seriam demitidos sumariamente e expulsos para sempre do serviço público.<br />
Dois dias depois, os controladores esperaram que o velho cowboy piscasse, mas o que ocorreu foi surpreendente. Reagan demitiu, com uma só canetada, todos os controladores grevistas e mudou para sempre a história da aviação comercial e do  movimento sindical nos Estados Unidos.<br />
O presidente, que segundo se dizia à época não conseguia mascar chiclete e andar ao mesmo tempo, mas tinha consciência de seu poder e sabia utilizá-lo, aproveitou-se de uma lei de 1955 que proibia greves entre funcionários públicos federais, sob pena de multa e um ano de cadeia, para fazer o que fez.<br />
Muitos funcionários de outros setores, como carteiros, já haviam parado. Mas num setor estratégico, responsável pela segurança de milhões de passageiros lá no céu, não se concebia uma paralisação.<span id="more-1086"></span><br />
Sob a alegação de que seu trabalho é muito estressante, os controlares desde o início de 1981 pediam aumento de US$ 10 mil anuais, redução para quatro dias de trabalho por semana e aposentadoria integral depois de 20 anos de trabalho. Ao todo, suas reivindicações custariam aos cofres do governo cerca de US$ 770 milhões.<br />
A FFA – Federal Aviation Administration contra-ofertou com um pacote de cerca de US$ 40 milhões, que incluía uma semana de trabalho mais curta e 10% de aumento para controladores que trabalham durante a noite, extensivo aos instrutores. Depois de quase sete meses de negociações, 95% deles rejeitaram a contra oferta. Foi o sinal amarelo para que o governo começasse a esboçar um plano de ação.<br />
Apesar dos controladores terem escolhido o período de verão para cruzar os braços, provocando prejuízos de mais de US$ 30 milhões diários a empresas como Braniff, Eastern, American e TWA, que juntas faziam 14 mil vôos comerciais diários carregando mais de 800 mil passageiros – 60% deles em viagens de negócios – e ainda 10 mil toneladas de carga, o plano da FFA funcionou tranquilamente.<br />
Aproximadamente três mil supervisores se juntaram a dois mil fura-greves e cerca de novecentos militares para controlar os principais aeroportos norte-americanos. A Agência também ordenou que as companhias aéreas reduzissem em 50% os vôos durante os horários de pico nos principais aeroportos por questões de segurança. Aproximadamente 60 torres de controle foram programadas para sair do ar até segunda ordem. Mais de 45 mil pessoas registraram-se para ser treinadas e, assim, substituir os grevistas demitidos.<br />
Naturalmente, houve problemas numa situação emergencial como esta. Muita gente perdeu negócios, produtos perecíveis – como, por exemplo, órgãos para transplantes - se estragaram – e as locadoras de automóveis e ferrovias ficaram apinhadas de gente querendo ir de um ponto A para um ponto B.<br />
Os grevistas, através do PATCO, foram à imprensa para falar que, sem eles, os passageiros e todo o sistema aéreo estariam em perigo, mas pouca coisa de ruim aconteceu depois que o tráfego foi reduzido, o monitoramento aumentado e os 33 mil pilotos redobraram a atenção para evitar “chuveiradas de alumínio”, como os controlares chamam os desastres aéreos.<br />
Em pouco tempo, mais de 80% dos vôos estavam operando normalmente, enquanto os vôos de carga permaneceram virtualmente inalterados.<br />
Mesmo vitorioso, o governo, que tinha a população a seu lado, não parou por aí. Pôs muitos grevistas na cadeia e indiciou 75 deles, ao mesmo tempo em que juízes federais impuseram uma multa de US$ 1 milhão por dia ao sindicato grevista, que quase foi varrido do mapa depois de perder a certificação do Federal Labor Relations Authority.<br />
O governo ainda descobriu que poderia controlar os céus com 20% a menos de controladores. Dois anos depois, o setor, que movimentava cerca de US$ 30 bilhões e empregava cerca de 340 mil pessoas já naquela época, tinha aumentado em 6% o movimento de aeronaves.<br />
Reagan hoje deve estar no céu, descansando em paz, com a sensação do dever cumprido depois de ter sido eleito presidente para proteger os cidadãos que, vez por outra, passeiam pelos céus.</p>
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		<title>Um mórmon no poder</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Aug 2007 21:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/mitt.jpg" alt="mitt.jpg" title="mitt.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle, Washington – Rico, bonito, empresário de sucesso, pai e marido exemplar, sem antecedentes criminais (nem multa por velocidade), republicano e mórmon. O ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, 60 anos, o homem que salvou as Olimpíadas de Salt Lake City em 2002 e fez fortuna com a firma de investimentos Bain Capital, é um dos candidatos mais afluentes entre os republicanos para a sucessão de George Bush – a ponto de ter sido capa de praticamente todas as revistas de negócios desde que o ano começou.<br />
Romney, no entanto, peca por ser mórmon. O país está cansado da mistura entre Igreja e Estado que os neoconservadores encabeçados por Bush promoveram nos últimos anos, a ponto de levarem o país a uma guerra fratricida e sem sentido no Iraque só para satisfazer ao complexo industrial militar. Os mórmons pertencem à religião que mais cresce nos Estados Unidos, embora seja mais conhecida entre outros credos por abrigar entre seus devotos os chamados casamentos múltiplos (um homem, às vezes com dezenas de esposas), especialmente em regiões remotas do país.<br />
Em todos os debates que participa, Mitt é confrontado com perguntas sobre a influência da religião no poder, especialmente na tomada de decisões que apaixonam os Estados Unidos atualmente, como a liberação de fundos federais para a pesquisa de células-tronco, direito ao aborto, casamentos entre homossexuais e outras conquistas (ou atrasos, segundo os neoconservadores) da sociedade norte-americana no fim do século passado. Mitt, como bom político, escorrega-se dos petardos com a firmeza de um quiabo, mas no final do dia, como todos sabem, o que vale é uma boa administração.<span id="more-1077"></span><br />
É neste ponto que Mitt é fantástico. Ele é uma espécie de SWAT que chega com um time de craques para resolver qualquer problema do mundo dos negócios. Formado por Haward (entre os cinco melhores alunos), cresceu como consultor na Bain &#038; Company, mas desiludiu-se ao notar que seus conselhos não eram seguidos. Propôs, e tornou-se sócio, da Bain Capital, que com apenas US$ 37 milhões para investir fez o sucesso de empresas como Brookstone, Sealy, Domino’s Pizza e Staples, na qual colocou US$ 600 mil e hoje fatura US$ 18 bilhões.<br />
Como este formidável DNA de administrador, Mitt foi chamado às pressas para salvar as Olimpíadas da Inverno de 2002, em Salt Lake City (reduto dos mórmons). Em 1999, durante os preparativos, os jogos estavam a perigo, com escândalos de corrupção e US$ 379 milhões de saldo negativo. O homem chegou, cortou custos, arranjou novos patrocinadores e, ao final da competição (“trabalhar lá era como enfrentar um final de uma copa do mundo 17 vezes em 17 dias”) ainda obteve um lucro de US$ 100 milhões.<br />
Foi o passe para lançar seu nome nacionalmente. Em 1994, já tinha tentado arrancar o democrata Ted Kennedy a quase centenária invencibilidade como senador de Massachusetts, mas foi dizimado como uma saraivada de anúncios na TV afirmando que sua atuação na Bain Capital, comprando e vendendo empresas, levou à demissão de milhares de funcionários (e eleitores). Perdeu a eleição para o Senado, mas foi eleito governador do Estado de 2002 a 2006. Lá, virou a mesa transformando um déficit de US$ 3 bilhões num superávit de US$ 1 bilhão, criou seguro saúde universal que hoje é referência nos Estados Unidos e ainda um arrojado plano para proteger a ecologia. Tornou-se, também, presidente da Associação dos Governadores Republicanos, outra plataforma para chegar à Casa Branca.<br />
Como empresário, o forte do candidato Mitt Romney (apenas 11% de preferência nas pesquisas) é obter dinheiro, mas muito dinheiro para eleger-se presidente dos Estados Unidos. É o candidato republicano que mais arrecadou (US$ 23 milhões), embora não tenha superado a favorita dos democratas, Hillary Clinton, que conseguiu, com o apoio do marido, o ex-presidente Bill Clinton, cerca de US$ 26 milhões. O que mais está surpreendendo os analistas é como Romney está conseguindo levantar dinheiro através de pequenas doações no seu site na internet.<br />
Romney poderia ser católico, protestante, judeu, muçulmano ou ateu, mas o fato de ser mórmon o joga numa zona de incerteza pelo próprio desconhecimento que a maioria das pessoas tem da igreja fundada nos Estados Unidos pelo visionário Joseph Smith em 1830 e que hoje conta com mais de 13 milhões de adeptos só nos Estados Unidos. Como é comum não gostarmos daquilo que não conhecemos, por insegurança ou medo, fica difícil saber o que um mórmon vai fazer na Casa Branca.</p>
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		<title>Meu nome é Forrest Gump</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jul 2007 20:11:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Puerto Vallarta, México – A vida imita a arte, e é por este motivo que o grupo Viacom está celebrando uma década de lucros com uma idéia nascida em um dos mais formidáveis filmes de todos os tempos: Forest Gump, ganhador de seis Oscars, inclusive de melhor ator para Tom Hanks.
Para quem não se lembra, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/gump.jpg" alt="gump.jpg" title="gump.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" /><em>Puerto Vallarta, México</em> – A vida imita a arte, e é por este motivo que o grupo Viacom está celebrando uma década de lucros com uma idéia nascida em um dos mais formidáveis filmes de todos os tempos: Forest Gump, ganhador de seis Oscars, inclusive de melhor ator para Tom Hanks.<br />
Para quem não se lembra, Forrest vai à guerra do Vietnã e faz de Benjamin Buford &#8220;Bubba&#8221; (Mykelti Williamson), um negro que conhecia tudo sobre camarões e só falava sobre camarões, seu melhor amigo.<br />
Bubba, que tinha um QI tão baixo quanto Gump, morre numa emboscada vietnamita. Forest volta como herói, fica famoso e cria a Bubba Gump Shrimp Co., entre outros projetos de sucesso que coincidem com os principais marcos da história recente dos Estados Unidos.<br />
A Paramount, que distribui o filme e hoje pertence à Viacom , já ganhou quase um bilhão de dólares apenas como a exibição de Forrest, depois de ter investido míseros US$ 58 milhões. Mas, embalada pelo sucesso do filme entre uma legião de adoradores, criou no final de 1996 a rede temática de restaurantes que transformou-se uma máquina de ganhar dinheiro.<span id="more-1074"></span><br />
Freqüentar o Bumba Gump, que além dos Estados Unidos também tem diversas filiais aqui no México e na Ásia, é como mergulhar no set do filme. Obviamente, tudo gira em torno de camarões, que Bumba chamava insistentemente de “a fruta do mar”: fritos, salgados, assados, doces, à La Creole, sopas, coquetéis, churrascos, pipocados, com limão, coco, pimenta, abacaxi, em saladas, em sanduíches – é difícil escolher.<br />
O filme é passado em telões e, como em todos os filmes geniais, não dá para tirar o olho enquanto se come camarões, preferencialmente com morritos, a bebida cubana. O cardápio é uma raquete de pingue-pongue (Forest foi campeão mundial e, através deste esporte, “responsável” pela reabertura do diálogo entre China e Estados Unidos na década de 70). Antes de chegar às mesas, passa-se por uma pequena loja onde se podem comprar camisetas, bonés e souvenires do filme.<br />
Nas paredes, estão afixados os ditados maternos (cujo papel é representado pela excelente Sally Field) sempre repetidos por Gump, como “a vida é uma caixa de chocolates – você nunca sabe o que você vai pegar”, e, numa tradução livre, “não existem pessoas burras – apenas burrices”. Se você quiser chamar o garçom, levante uma placa azul que diz “Corra, Gump”, a frase que o tornou “campeão” de futebol americano e, já na década de 70, “precursor” do jogging.<br />
Os restaurantes são caros para uma rede temática (pense entre 50 a 100 dólares por pessoa), e depois desta overdose de Forrest Gump é difícil querer voltar e passar pela experiência novamente. Mas sempre permanece a idéia de que a história é feita por pessoas comuns, descompromissadas econômica e politicamente, que transformam o mundo porque apenas fizeram o que se esperava que fizessem quando, por uma obra do destino, estão nas horas e nos lugares certos.<br />
Assim é Forrest Gump. Limítrofe, aleijado na infância, arranjadinho, bom moço, motivo de chacota dos colegas e do desprezo dos mais velhos, Gump é o centro de eventos notáveis, como o surgimento de Elvis Presley, a revelação de Watergate e o nascimento da Apple. No filme, ele também aparece como co-autor de Imagine, a música-hino de John Lennon.<br />
Gump, também através de efeitos especiais, graças ao trabalho de Ken Ralston (pelo qual ganhou um Oscar) participa do episódio da entrada de alunos negros (pela primeira vez) na Universidade do Alabama, e visita os ex-presidentes John F. Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon na Casa Branca, por motivos diversos e sempre fazendo alguma coisa ridícula – e televisionada em branco e preto para todo o país.<br />
O filme, que ainda ganhou mais de 24 diferentes prêmios e é motivo de culto até hoje, é um retrato da América, do herói que contra tudo e contra todos (inclusive ele mesmo, devido à sua limitada inteligencia) veio, viu e venceu, como faziam os romanos. É um dos 100 melhores filmes de todos os tempos, segundo o ranking do American Film Institute.<br />
É, também, motivo de polarização entre os críticos, um debate semelhante a quem assistiu, durante a ditadura militar no Brasil, ao embate entre A Banda, de Chico Buarque, e Disparada, de Geraldo Vandré.  A metade acha que trata-se de um melodrama pop, enquanto a outra metade diz que o filme é tão doce quanto uma caixa de chocolates. Ou mesmo um delicioso coquetel de camarão.</p>
<p>* Dirige a Cia. da Informacao em Seattle, Estados Unidos (pedro@theinformationcompany.net)</p>
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		<title>Enfim, o sonho da casa própria</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2007 22:09:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle, Estados Unidos – Se você quer morar nos Estados Unidos, adora o clima das montanhas e tem dinheiro sobrando no bolso, aqui vai uma oportunidade única: o corretor Joshua Saslove acaba de colocar à venda o que vem a ser casa mais cara do mundo, em Aspen, Colorado, por US$ 135 milhões, sem descontos.
A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/mansao.jpg" alt="mansao.jpg" title="mansao.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle, Estados Unidos – Se você quer morar nos Estados Unidos, adora o clima das montanhas e tem dinheiro sobrando no bolso, aqui vai uma oportunidade única: o corretor Joshua Saslove acaba de colocar à venda o que vem a ser casa mais cara do mundo, em Aspen, Colorado, por US$ 135 milhões, sem descontos.<br />
A mansão de 17 mil metros quadrados, um pouco maior que a Casa Branca, tem 15 quartos, 16 banheiros, salão de beleza (ao lado da suíte máster) e, segundo mediu o The New York Times, espaço suficiente para uma festa de 450 pessoas. São necessários 12 empregados para cuidar do bangalô.<br />
O rancho Hala, que significa bem-vindo em árabe, pertence ao polêmico príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Bandar bin Sultan bin Adul Al Saud, ex-embaixador nos Estados Unidos de 1983 a 2005 e hoje secretário geral do Conselho de Segurança Nacional. Ele é filho bastardo do prínce Sultan bin Abdul Aziz e amigo íntimo dos Bush, pai e filho.<span id="more-1070"></span><br />
Bandar, que tem oito filhos, fez o seu refúgio de 39 hectares em Aspen com o dinheiro de sua herança e, mais ainda, com os lucros que obteve intermediando compras de armas britânicas pela Arábia Saudita nos valor de US$ 80 bilhões, incluindo mais de 100 caças. O dinheiro ajuda a pagar pela gasolina do seu jato Airbus A 340.<br />
Mais de mil pessoas, muitos deles pertencentes ao grupo de 943 bilionários existentes hoje no mundo, segundo a revista Forbes, já se inscreveram para visitar a mansão, mas somente 11 o fizeram até agora. Se você estiver interessado em vê-la, mas não tem tempo de ir a Aspen, há fotos disponíveis no site:</p>
<p><a href="http://www.christiesgreatestates.com/properties/view_13243/ "> www.christiesgreatestates.com/properties/view_13243/ </a></p>
<p>Segundo Joshua, seu trabalho básico é dizer “não” aos pretendentes que não têm tanto dinheiro assim para comprar a mansão.<br />
Hala é o ponto máximo da chamada “bolha” habitacional que vem elevando os preços das casas nos Estados Unidos a níveis exponenciais desde o estouro de outra “bolha”, a da Internet, em 2001, quando os investidores ficaram mais ariscos e resolveram se salvaguardar comprando residências com juros de pai para filho, de 1 a 6% ao ano, sob as bênçãos do presidente do Banco Central americano da época, Alan Greenspan.<br />
A mania de comprar casas, que as pessoas acreditam ser um bom investimento (e é, mas somente pela especulação dos preços), faz com que atualmente, segundo o governo norte-americano, cerca 70% da população seja dona de residências, com pagamentos mensais médios de US$ 1.687, cerca de duas vezes mais o preço médio dos aluguéis no país: US$ 868 por mês.<br />
O preço médio de uma casa nos Estados Unidos, segundo a Associação Nacional dos Corretores, está em US$ 206 mil, um aumento médio de 15% sobre o ano passado e 55% sobre os últimos cinco anos. Se você comprou aqui uma casa em 2002, provavelmente obteve 275% de retorno no seu investimento, o que deixa as bolsas de valores no chinelo.<br />
Por isto boa parte dos proprietários entra na onda de refinanciar suas casas. Somente em 2004, fizeram mais de US$ 139 bilhões com estes refinanciamentos. 35% do dinheiro foi para fazer melhorias nas próprias casas, 16% em compras diversas e 26% para pagar antigos débitos, principalmente de cartão de crédito, como revelou a revista Time.<br />
Na opinião de muitos economistas, o mercado residencial foi e é a salvação da lavoura para os Estados Unidos depois do estouro da bolha ponto com. Desde o início deste século é uma espécie de corrida do ouro onde todo mundo pode ficar rico se tiver um pouco de dinheiro (pelo menos 10 mil dólares) e espírito empresarial. É difícil encontrar alguém que não esteja envolvido com o setor, que não seja construtor, agente, corretor, financiador, remodelador etc.<br />
Todo mundo adverte que a bolha vai estourar a qualquer momento. E que, com os preços das casas voltando aos patamares civilizados, pessoas que contraíram empréstimos para comprá-las, mesmo sem garantias reais, como no chamado mercado secundário, estarão de uma hora para outra com débitos que não poderão ser honrados. A bola de neve, segundo os economistas, pode causar um estrago de proporções astronômicas no país.  </p>
<p>*Pedro A. L. Costa dirige a Cia. da Informação nos Estados Unidos. pedro@theinformationcompany.net</p>
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		<title>Todos somos imigrantes</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 19:24:49 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sunnyside, Washington– A não ser pelo homem de Neanderthal, que deve ter vivido e morrido sem abandonar as proximidades da caverna em que nasceu, todos nós somos imigrantes. Nossos antepassados (ou nós mesmos) singraram mares, cruzaram territórios no dorso de mulas ou foram para o aeroporto e pegaram o avião para um novo país, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/imigrantes.jpg" alt="imigrantes.jpg" title="imigrantes.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Sunnyside, Washington– A não ser pelo homem de Neanderthal, que deve ter vivido e morrido sem abandonar as proximidades da caverna em que nasceu, todos nós somos imigrantes. Nossos antepassados (ou nós mesmos) singraram mares, cruzaram territórios no dorso de mulas ou foram para o aeroporto e pegaram o avião para um novo país, em busca do que todo mundo quer: segurança, dinheiro e felicidade, não necessariamente nesta ordem.<br />
Nos Estados Unidos, o problema é que quem chegou antes – descendentes de ingleses, alemães e holandeses – está achando que os quase 20 milhões de imigrantes ilegais que aportaram aqui nos últimos anos são uma ameaça ao estilo de vida norte-americano e, particularmente, ao inglês como linguagem comum. Esquecem que, como na história do ovo e da galinha, o país só ainda cresce porque tem gente disposta a trabalhar por cinco dólares a hora – o que, em bom economês, significa ganhos de produtividade.<br />
Morar aqui é ter um vizinho de Taiwan, um encanador da Ucrânia, um taxista do Punjab, uma babá do Camboja, um garçom mexicano e um xerife da Etiópia. Todos tentam falar a língua de Shakespeare com exóticos sotaques, mas, ao mesmo tempo, celebram o Quatro de Julho, Dia da Independência, hasteando a bandeira nas janelas de suas casas. Sem eles, diz o vinicultor Terry Harrison, proprietário da vinícola Steppe Cellars aqui no deserto de Washington, “eu não poderia vender este Chardonnay a menos de 10 dólares a garrafa”.<span id="more-1065"></span><br />
É com este espírito que o presidente George W. Bush está empurrando goela abaixo dos congressistas novo pacote para os imigrantes, que os legaliza desde que entrem, novamente, mas pela porta da frente: documentados, com dinheiro, dentro dos prazos e trâmites legais. O povo está contra: acha que o pacote, que voltou a renascer semana passada no Congresso, sob o alento do democrata Bob Kennedy, premia quem atravessou ilegalmente a fronteira do Rio Grande fugindo dos coiotes e das milícias.<br />
Bush está com uma batata quente nas mãos. Rodeado por babás e serviçais mexicanos desde a infância no Texas, o presidente sabe da importância imigrantes do México nos Estados Unidos. Iletrados, cheios de filhos que às vezes só falam espanhol e obrigam o sistema educacional público a ser bilíngüe,  brotam aqui (já são oito milhões de mexicanos ilegais) para dar uma banana à história e recuperar um território – o sudoeste dos Estados Unidos – tomado deles em diferentes guerras.<br />
Embora a imagem dos Estados Unidos não esteja lá estas coisas hoje em dia, todo mundo quer vir para cá. Por vontade própria ou refugiando-se das guerras ao redor do globo. Só em 2006, o país aceitou mais imigrantes como residentes permanentes do que todos os outros países do mundo combinados. Ao mesmo tempo, mesmo construindo um muro de duas mil milhas na fronteira com o México ou criando programas de trabalhadores temporários, não consegue deter a leva de ilegais que chega a quase um milhão de pessoas por ano.<br />
Receber este povo, que pouco depois que chegam aqui arranjam emprego, casa própria, escola para os filhos e carro na garagem – coisas que muitos deles não tiveram em seus países– gera controvérsia em torno de racismo, etnia, benefícios econômicos, criminalidade, valores morais e até hábitos de trabalho. Programas jornalísticos da TV, como o de Lou Dubbs na CNN, só tratam deste tema, e na maioria das vezes com raiva.<br />
A Califórnia, que tem um governador austríaco, Arnold Schwarzenegger, e um prefeito de Los Angeles descendente de mexicanos, Antonio Villaraigosa, já tem 65% de sua população latina. Um dos candidatos democratas à presidência, Bill Richardson, tem mãe mexicana. Os latinos estão caminhando para se tornar maioria no Texas, Arizona, Flórida e outros estados do Sul.  Dados do Censo demonstram que estão invadindo os estados centrais à procura de trabalho que os americanos não querem mais fazer.<br />
Vendo o copo metade cheio, ou invés de metade vazio, como é comum, a forma mais apropriada de enxergar os Estados Unidos não é considerá-lo, como se supõe, um país ameaçado pelos estrangeiros. Ao contrário, seu território virou uma imensa ONU com gente de todo o mundo que celebra, aqui, a antes improvável convivência de praticamente todas as raças da Terra.<br />
A ironia desta história é que justamente esta fusão é que faz a grandeza o país. </p>
<p>* Dirige a Cia. da Informacao em Seattle, Estados Unidos (pedro@theinformationcompany.net)</p>
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		<title>Paris Hilton faz dinheiro até no xadrez</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jun 2007 16:20:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle – Os Estados Unidos pararam na semana passada para assistir, impávidos, à herdeira dos Hotéis Hilton, Paris Hilton, 26 anos, voltar para uma minúscula cela na prisão feminina de Los Angeles, na Califórnia, onde cumprirá pena de 45 dias por dirigir bêbada. Paris já tinha sido encarcerada, mas ganhou prisão domiciliar (e coleira eletrônica) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/paris_hilton.jpg" alt="paris_hilton.jpg" title="paris_hilton.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle – Os Estados Unidos pararam na semana passada para assistir, impávidos, à herdeira dos Hotéis Hilton, Paris Hilton, 26 anos, voltar para uma minúscula cela na prisão feminina de Los Angeles, na Califórnia, onde cumprirá pena de 45 dias por dirigir bêbada. Paris já tinha sido encarcerada, mas ganhou prisão domiciliar (e coleira eletrônica) depois de se recusar a comer e entrar em depressão. Voltou para as grades chorando e gritando pela mãe.<br />
Mais uma vez, Paris demonstrou sua capacidade para gerar mídia, como se ela e os paparazzi tivessem nascidos um para o outro. Todas as redes de TV – inclusive a cabo - colocaram helicópteros durante horas para filmar sua volta à prisão –e, novamente, provocar o debate sobre esta celebridade que se tornou famosa, em 2003, por fazer sexo com o namorado num vídeo distribuído à exaustão pelo Youtube.<br />
A moça, que se não trabalhasse teria direito a US$ 1 bilhão de herança dos hotéis e da fortuna do pai, que é corretor de imóveis em West Hollywood, é uma máquina de fazer dinheiro: girou quase US$ 260 milhões em diferentes empreendimentos em 2006 e colocou no bolso cerca de US$ 7 milhões, tornando-se uma das pessoas do show business que mais faturou no ano passado.<span id="more-1016"></span><br />
Paris é tudo que um pai não deseja numa filha ou, em termos históricos, é um monumento ao nada. Faz sexo para milhões de internautas (interrompeu o ato para atender um celular), fala palavrões em público (TVs estão sendo penalizadas por mantê-la num ar vomitando impropérios), trata os pobres, negros e latinos como porcos e sua ausência, como se brinca no Brasil, preenche uma lacuna: a herdeira não contribui em nada para o bem da humanidade, a ponto de ser eleita numa pesquisa da Associated Press como o pior modelo de celebridade de 2006 e, pelo Guiness, o livro dos recordes, como a personalidade mais exagerada de todos os tempos. Da solidão da prisão de 2 x 3 metros, disse que recebeu um chamado de Deus e fará de tudo para se comportar daqui em diante.<br />
Atriz, modelo, empresária, cantora, designer, socialite e agora escritora, pois acaba de lançar sua autobiografia, Paris sabe, como poucos, chamar atenção e encher os bolsos. Por exemplo, ganhou US$ 400 mil do ex-namorado na Justiça pela não autorizada distribuição de sua pornochanchada na Internet. Seu livro, pelo qual ganhou US$ 100 mil de adiantamento e ainda carinhoso depoimento de Donald Trump, esteve durante semanas na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times. Ajudou a desenhar uma coleção de pulseiras Samantha Thavasa, uma linha de jóias para a Amazon, e ainda um perfume para a marca Parlux Fragrances em sua homenagem (nomes: Paris Hilton, Paris Hilton for Women, Paris Hilton for Men, Just Me Paris Hilton, Paris Hilton: Heiress and Paris Hilton: Heir). Paris também emprestou seu nome para uma rede de casas noturnas e, justamente por fazer o contrário do que qualquer herdeira faria, mobiliza a audiência Internacional.<br />
Loira, cara de boneca e magrela, Paris tem tanto poder na mídia que até os âncoras Don Rather e Brian Willians já pediram desculpas em pleno ar por serem obrigados a noticiar seus passos em direção à prisão – ou simplesmente qualquer respiro seu.  É um reconhecimento sobre o que a mídia, hoje, é obrigada a relatar, especialmente para não perder a audiência de crianças e adolescentes. A empresária, que controla a empresa Paris, Inc. com a ajuda da família e se considera uma mescla de “mulher de negócios e uma marca”, já recebeu elogios do avô, Barron Hilton (“você trabalha mais do que todos os meus executivos e de qualquer pessoa que conheço”). Paris, no entanto, não precisa dos elogios do avô.  “Acho que toda década tem um ícone loiro – como Marylin Monroe ou a Princesa Diana – e, agora, eu sou este ícone”, diz.<br />
          Como apontou o escritor Khaled Housseini, do livro Caçador de Pipas, esta semana na rádio pública PBS, histórias como a de Paris Hilton – e em outras épocas Branca de Neve, Gata Borralheira etc – sempre fazem sucesso por comparar ricos e pobres, bem e mal nascidos, maus e bons, ódio e amor, brancos e não tão brancos – a mídia, apenas, reproduz o desejo humano de idolatrar estes contos-de-fada. No caso de Paris Hilton, é preciso trocar o sótão de um castelo medieval pelo xadrez de Los Angeles.</p>
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		<title>O rato que ruge</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jun 2007 17:16:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seattle – Seu país está em crise, precisa de dinheiro, a popularidade está em baixa e seu poder está em jogo? Ameace os Estados Unidos ou Israel, seu histórico aliado. E não se esqueça de chamar a mídia e fazer barulho, muito barulho.
É o que fazem a Coréia do Norte, o Irã, a Venezuela e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/putin_bush.jpg" alt="putin_bush.jpg" title="putin_bush.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Seattle – Seu país está em crise, precisa de dinheiro, a popularidade está em baixa e seu poder está em jogo? Ameace os Estados Unidos ou Israel, seu histórico aliado. E não se esqueça de chamar a mídia e fazer barulho, muito barulho.<br />
É o que fazem a Coréia do Norte, o Irã, a Venezuela e agora, revolvendo a extinta Guerra Fria, o presidente russo Vladimir Putin.<br />
Como um menino mimado, e às vésperas da reunião do G8 na semana passada na Alemanha, Putin ameaçou apontar seus mísseis para o “mundo livre”, como eram chamados os países ocidentais no passado, caso os Estados Unidos insistam em instalar mísseis na Europa Oriental para evitar um possível ataque nuclear do Irã ou de qualquer país do Eixo do Mal (ou fora dele).<br />
Com uma guerra de palavras, que dominou as manchetes de todo o mundo por uma semana, Putin colocou a Rússia, que hoje não passa de um elefante sentado em imensas reservas de petróleo, no radar dos acontecimentos. Do jeito que se gabava o Kremlin quando a União Soviética ainda existia.<br />
Como a história é cíclica, e como os Estados Unidos serão os xerifes do mundo por muitos anos ainda, veremos cada vez mais os americanos como uma mescla de dominadores e reféns de países que, política ou economicamente, precisam deles para sobreviver.<span id="more-1010"></span><br />
Não fazem nada contra a China, que rouba os empregos americanos e do mundo com pirataria e câmbio desvalorizado, porque os chineses detêm boa parte da dívida externa dos Estados Unidos.<br />
Não fazem nada contra o México, que despeja aqui milhões de trabalhadores ilegais, pois a economia americana cresce porque, entre outros fatores, conta com mão de obra barata, iletrada, ilegal e estrangeira.<br />
Não fazem nada contra a Rússia, seu histórico inimigo por mais de meio século, porque precisam de seu petróleo e podem ser alcançados pelas armas nucleares que foram concebidas e construídas justamente para acabar com os Estados Unidos.<br />
A teoria é esta. Ameace os Estados Unidos, chame a atenção para o seu país, que mais ou cedo ou mais tarde chegarão bilhões de dólares que o complexo industrial militar norte-americano precisa dar vazão anualmente.<br />
Com um PIB de US$ 13 trilhões (22% da economia mundial), boa parte deles queimados na manutenção da maior força armada do mundo (US$ 350 bilhões só no Iraque até agora), os Estados Unidos precisam encontrar encrenca (e resolvê-la) e aceitar provocações onde for para manterem esta máquina funcionando, seja em nome da democracia, da geopolítica, do petróleo, da religião ou de outro argumento qualquer.<br />
Foi o que o que captou o escritor irlandês Leonard Webberley, que já em 1955 criou uma série de livros satíricos baseados no Ducado de Grande Fenwick, começando com O Rato que Ruge.<br />
No livro, que depois virou filme com o ator inglês Peter Sellers, este fictício Ducado, incrustado nos Alpes Suíços, se vê ameaçado quando um americano resolve criar um vinho que competiria com seu principal e único produto de exportação, um pinot noir tão “saboroso” que só deixa ressacas como lembrança.<br />
Com a ameaça de perder a galinha dos ovos de ouro e de ser varrido do mapa para sempre, o Ducado, por obra de seu primeiro ministro, resolve declarar guerra aos Estados Unidos.<br />
Atravessam o Atlântico numa antiquada nau, chegam à Nova Yorque num dia em que a cidade estava deserta, seqüestram o cientista que estava fazendo a bomba “Q”, conseguem de um general um atestado de que tinham vencido a guerra e voltam para o Ducado com todos no navio, inclusiva a bomba.<br />
É aí que surge uma das cenas mais engraçadas da história do cinema.<br />
O almirante do Condado, que sofria de enjôos toda vez que entrava em qualquer embarcação, chega aos pés da rainha e anuncia que tinha ganhado a guerra contra os Estados Unidos, para desespero de todo o mundo.<br />
A rainha quase tem uma síncope.<br />
O que os grupos insurgentes no Iraque não perceberam até hoje é que, se os Estados Unidos ganharem a guerra, se tornariam uma potência no Oriente Médio. Teriam de dar um basta no radicalismo islâmico, engolir os sanduíches do McDonalds e o café do Starbucks. Mesmo assim, seriam uma potência.</p>
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		<title>Al Gore Jr. - Presidente dos Estados Unidos?</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2007 14:41:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Renton, Washington – Finalmente surge uma luz na sonolenta, previsível e amontoada corrida presidencial nos Estados Unidos. O ex-vice-presidente norte-americano Alberto “Al” Gore Jr., o homem que construiu a Internet e há cinco anos percorre o planeta alertando para o derretimento das calotas globais, pode ser o próximo - e imbatível - candidato do Partido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/al_gore_jr.jpg" alt="al_gore_jr.jpg" title="al_gore_jr.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Renton, Washington – Finalmente surge uma luz na sonolenta, previsível e amontoada corrida presidencial nos Estados Unidos. O ex-vice-presidente norte-americano Alberto “Al” Gore Jr., o homem que construiu a Internet e há cinco anos percorre o planeta alertando para o derretimento das calotas globais, pode ser o próximo - e imbatível - candidato do Partido Democrata à Presidência, se depender de boa parte do eleitorado, das estrelas de Hollywood e de ícones da tecnologia, como Steve Jobs, dono da Apple.<br />
Gore, que sofreu uma roubada da história quando perdeu no Colégio Eleitoral a eleição para George W. Bush em 2000, fato que até hoje não engoliu, é hoje o que se chama de unanimidade nacional, um sentimento que não aparece aqui desde John F. Kennedy e Martin Luther King.  Sua apresentação em PowerPoint, Verdade Inconveniente, com a qual ganhou o Oscar de Melhor Documentário este ano, elevou-o ao favoritimismo para ganhar o Prêmio Nobel da Paz de 2007. Menestrel do aquecimento global, Gore acaba de ser capa da revista Time (“A Última Tentação de Gore”) pelo lançamento de seu novo livro, “O Assalto à Razão”. Só não assume a candidatura porque está faltando o voto de um eleitor: ele mesmo.<span id="more-1007"></span></p>
<p>A eleição de Gore, que é bom de voto – antes de tornar-se vice-presidente foi deputado federal e senador pelo Tennessee, é importante porque pode mudar o destino dos Estados Unidos, o maior poluidor da Terra, e por conseqüência de todo o mundo. Sentado no Salão Oval da Casa Branca, Gore significaria a retirada imediata das tropas no Iraque, o fim da dependência do petróleo, seguro saúde universal para os americanos, impulso à internet como arma para a educação e redução da pobreza, a volta dos superávits orçamentários e uma série de quebra de paradigmas que apaixona os progressistas do país. Mais ainda, o mundo voltaria a respirar com a saída da direita religiosa que se apoderou da Casa Branca e que, embora tenha sido eleita duas vezes por metade dos 300 milhões de norte-americanos (ou se seus representantes), torna-se a cada dia mais impopular no país e fora dele.</p>
<p>Além de simpático, bem nascido, elegante e ético, Gore é ecológico de carteirinha, a ponto de levar sua cesta para o supermercado e evitar os sacos plásticos poluentes. Formado por Haward em Letras, ex-correspondente de guerra (embora se opusesse ao conflito do Vietnã, foi convocado e serviu como fotógrafo de uma revista especializada, Army Flier), é casado com Tipper Gore, pai de quatro filhos e está ficando rico não só com as centenas de palestras que dá anualmente, mas também com a administração de um fundo de investimentos ‘verde’, que aplica que projetos sustentáveis, Generation Investment Management. Acaba de comprar uma mansão de 1910 em Nashville (Capital da Música Country), Tennessee, de onde escreve seus artigos e comanda o esforço global rumo ao esfriamento do Planeta. É membro do board da Apple e do Google, de onde empurra estas empresas para seu movimento ecológico.</p>
<p>Diz-se que a derrota política é a pior dor que um homem pode experimentar, e evitá-la novamente é principal motivo que faz com que Gore não caia na vala política e se candidate pela terceira vez à Casa Branca. O político democrata, que atualmente diz não morrer de amores pela política, não foi posto à prova em nenhum cargo público executivo, embora como vice-presidente tenha lançado as bases do que é hoje a Internet.<br />
Ao mesmo tempo, não se sabe como Gore reagiria às demandas atuais, como o terrorismo. O que ele faria nos dias seguintes a 11 de Setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas e parte do Pentágono foram destruídas por Osama Bin Laden?  O Iraque teria sido invadido durante sua presidência? O clima na Terra estaria melhor caso ele tivesse ganho a eleição para a Presidência no início do século?</p>
<p>Em termos históricos perguntas como estas são despropositadas, mas Gore tem um grande eleitor do outro lado, o presidente George W. Bush. O homem é atordoado todas as noites com a possibilidade de novos ataques aos Estados Unidos e, por causa disto, acorda diariamente tropeçando no front externo e interno. Embora com boas intenções (que presidente não tem boas intenções?), está na hora de Bush passar o chapéu para o sucessor e se livrar da enrascada que meteu seu país nos últimos oito anos. </p>
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		<title>O Homem que Matou o Facínora</title>
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		<pubDate>Wed, 30 May 2007 21:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[John Wayne, o cowboy valentão que o mundo aprendeu a respeitar em mais de 250 faroestes e filmes de guerra, faria 100 anos neste final de semana. O ator, morto em 1979 depois de um câncer no pulmão (chegou a fumar cinco maços de cigarro por dia), é lembrado até hoje porque, sem dotes artísticos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/wayne.jpg" alt="wayne.jpg" title="wayne.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />John Wayne, o cowboy valentão que o mundo aprendeu a respeitar em mais de 250 faroestes e filmes de guerra, faria 100 anos neste final de semana. O ator, morto em 1979 depois de um câncer no pulmão (chegou a fumar cinco maços de cigarro por dia), é lembrado até hoje porque, sem dotes artísticos, pois parecia fazer o mesmo personagem em todos os seus longas-metragens, mergulhou na extrema direita antes de morrer, numa época em que ser de direita, como se diz, pegava mal.<br />
Nascemos e crescemos assistindo ao canastrão Wayne, com uma mão nas rédeas e outro no rifle, atirar nos bandidos, beijar as mocinhas e redimir as injustiças do Velho Oeste, um período entre 1865 e 1890 onde os aventureiros, respaldados pela Cavalaria, liquidaram os índios e tomaram conta das terras que chegavam até o Pacífico.<br />
Para os críticos, e para o próprio Wayne, Stagecoach, ou “No Tempo das Diligências”, dirigido por John Ford (seu descobridor, professor, amigo e diretor) tornou-se seu melhor filme, o trampolim que o lançaria ao sucesso, a ponto de, no final dos anos 50, ser o ator melhor pago em Hollywood, uma espécie de Tom Cruise com 1,94 e mais de 120 quilos, só que ganhando apenas 600 mil dólares por atuação.<span id="more-1005"></span><br />
Para os aficionados, no entanto, Wayne fez apenas uma obra prima. É The Man Who Shot Liberty Valance, ou O Homem que Matou o Facínora, de 1962, do próprio John Ford, onde interpreta um cowboy, Tom Doniphon, que ama perdida e platonicamente Hallie (Vera Miles), dona de um restaurante.<br />
Um dia, chega à cidade de Shinbone, no Arizona, um advogado idealista chamado Ransom Stoddard, interpretado pelo ator favorito dos Estados Unidos, James Stewart.<br />
Encantada com a beleza, a energia e o idealismo do recém-chegado, que não usava armas e ainda acreditava em soluções negociadas, Hallie se apaixona por Stewart, fato que deixa Wayne abalado, triste e resignado numa choupana no seu rancho nas montanhas.<br />
O destino, como muita gente já adivinhou, é muitas vezes cruel, mas ficaria mais cruel ainda quando começam os rumores que chegaria à pacata Shinbone um criminoso barbudo, olhos vermelhos, cheirando a wiskey e temido em todo o Oeste: Liberty Valance, interpretado por Lee Marvin.<br />
Como todo bandido do Velho Oeste, Liberty causa problemas por onde passa. Primeiro foi na estrebaria, depois no saloon, até que, numa noite, humilha Stoddart (Stewart)  na frente de Hallie em seu restaurante. Indignado, Stewart se rende aos costumes da época, esquece seus princípios (como tem gente que esquece&#8230;)  e vai para o meio da rua duelar com o facínora.<br />
Para surpresa de todos, o mocinho pacifista mata o sanguinário criminoso com um tiro certeiro, e assim fica famoso, torna-se deputado, governador e senador – e, para desespero de Wayne, casa-se com Hallie e vivem felizes para sempre.<br />
Num dia, Stewart, já velho e cheio de histórias para contar, volta a Shinbone em companhia da esposa. Ainda na estação de trem, são entrevistados por um jornal local, quando revelam que estavam ali para acompanhar o enterro do velho cowboy, Wayne.<br />
É aí a história dá uma reviravolta. Mesmo com ciúmes de Stewart, que lhe roubara a namorada e sua futura esposa, Wayne, na verdade, foi o homem que, escondido atrás de um poste perto do sallon, descarregou sua Winchester e realmente matou o facínora.<br />
Poucas pessoas sabiam desta verdade, a não ser Stewart, sua mulher e o falecido herói. No final do filme, e depois de contar a verdade, Stewart se levanta, agradece a entrevista e pergunta quando o jornalista vai publicar a história.<br />
O repórter põe o chapéu na cabeça, guarda no bolso o bloco de anotações, levanta-se e diz que não vai sair nada no jornal.</p>
<p>- Senhor, aqui é o Oeste, diz ele. Quando uma lenda torna-se um fato, publicamos a lenda.</p>
<p>A cena, que encerra o filme, mostra a eterna briga jornalística (e histórica) entre o fato e a versão. Wayne, o cowboy arrogante e valentão, mostra-se humilde, puro e injustiçado, vive o resto da sua vida na miséria, sozinho, sem o amor de Harrie. Stewart, que se apresenta como pacifista, idealista e sonhador, é na verdade o facínora que encobriu a verdade durante toda a vida para ficar famoso e conquistar os eleitores.</p>
<p>Você, como se diz, já deve ter visto este filme antes.</p>
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		<title>O show do dinheiro</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2007 18:57:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Vida Americana]]></category>

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		<description><![CDATA[Que os americanos sabem ganhar dinheiro como ninguém já se sabe. O que impressiona, no entanto, é que eles fazem isto sorrindo, se divertindo, batendo boca e gritando, no melhor estilo italiano. Basta assistir a um dos canais à cabo de maior sucesso nos Estados Unidos, a CNBC, da rede NBC, uma espécie de GloboNews [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/jim_cramer.jpg" alt="jim_cramer.jpg" title="jim_cramer.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Que os americanos sabem ganhar dinheiro como ninguém já se sabe. O que impressiona, no entanto, é que eles fazem isto sorrindo, se divertindo, batendo boca e gritando, no melhor estilo italiano. Basta assistir a um dos canais à cabo de maior sucesso nos Estados Unidos, a CNBC, da rede NBC, uma espécie de GloboNews misturada com Bloomberg TV cheia de gente bonita, atraente, de bem com a vida, mas que só fala em dinheiro, muito dinheiro.<br />
A rede, cujos alguns programas são exibidos no Brasil, detém quase 80% do mercado televisivo dedicado as negócios, especialmente nas tvs que ficam ligadas nos mesões das corretoras e dos bancos. Reconhecida por passar incessantemente as cotações das ações no rodapé, os chamados tickers, a CNBC furou a imprensa de todo o mundo semana passada quando descobriu que Rupert Murdoch, o empresário australiano dono da Fox, fez uma oferta hostil para comprar o The Wall Street Journal por US$ 5 bilhões.<span id="more-999"></span><br />
A CNBC foi criada em 1989 sob o sugestivo nome de Consumer News and Business Channel, em Nova Jersey, perto de Nova York, e hoje tem como atração principal um doido varrido chamado Jim Cramer, que faz sucesso atirando objetos na câmera, xingando a mãe dos telespectadores e se esguelando para dar dicas de empresas e ações – comportamento que ele chama de “educação do investidor”.<br />
Mas a CNBC tem um personagem central em torno da qual todo o mundo financeiro gravita, e ela é Maria Bartiromo, uma ítalo-americana de 39 anos, sósia da atriz Claudia Cardinale, que domina o imaginário do mundo financeiro “fazendo perguntas difíceis de uma maneira civilizada” em seus programas Closing Bell  e The Wall Street Journal Report.<br />
Ela ficou famosa não só pela sua competência – com mestrado em economia, se dá bem com o intrincados caminhos do mercado financeiro – mas por aceitar, mesmo sendo casada, viajar sozinha no jatinho do Citigroup em companhia do chefe da divisão Todd Thompson, que dispensou seus colegas numa viagem de retorno da China. Thompson foi demitido, enquanto Maria foi não só mantida no cargo, como também elogiada pelo seu profissionalismo. “Faz parte de seu trabalho”, defenderam seus chefes.<br />
Fora o noticiário pesado, em torno de ações, bônus, derivativos etc – assistir à CNBC é como ligar seu corpo numa tomada 220 –, a rede começou a inovar a mídia especializada quando adicionou à sua programação programas de entrevistas, como Big Idea, onde o publicitário Donny Deutsch chama CEOs (Bill Gates e Warren Buffet, por exemplo) para fazer perguntas inusitadas (quantos dólares você carrega na sua carteira?), ou Deal or No Deal, estrelado pelo ator-comediante canadense Howie Mandel, hoje na sua quarta temporada.<br />
Deal or No Deal testa a capacidade das pessoas de ficarem satisfeitas com o que ganharam – às vezes 100, 200 mil dólares – ou insistir em ganhar mais apostando na abertura de pequenas maletas carregadas por 26 modelos quase idênticas, um dilema semelhante ao dia-a-dia dos negócios que dão certo. O show está fazendo sucesso – esta semana seu apresentandor foi convidado para ir ao programa de entrevistas de Larry King, da CNN – porque, como era de se esperar, a maioria não se contenta com o que já ganhou e, ao final, perde tudo.<br />
A exemplo de seus entrevistados, a CNBC, que também pertence à General Electric, é extremamente lucrativa. Ano passado faturou US$ 510 milhões e teve um lucro de US$ 250 milhões. Embora sua audiência não possa ser comparada aos canais à cabo CNN e Fox, por se tratar de mídia especializada, depende do humor do mercado acionário. No ano 2000, por exemplo, antes de estouro das empresas de internet nas bolsas, chegou a ser líder de audiência, mas com o mercado à deriva nos anos seguintes tem tido dificuldades para ganhar mais audiência.<br />
Com o passar dos anos, a CNBC foi se replicando em todo mundo. Foram criados canais no Oriente Médio, na Ásia e na Europa, nesta última numa joint venture com o jornal The Wall Street Journal. Se as bolsas voltarem a ser a atração do mundo dos negócios, como já se prenuncia, sua audiência vai crescer cada vez mais.</p>
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		<title>O primeiro bilhão a gente nunca esquece…</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2007 14:56:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O mundo já sabe que, a partir de agora, quem vai mandar no mundo são os chamados hedge funds, fundos de investimentos que ganham dinheiro (mas muito dinheiro)  quando o mercado sobe, desce, fica à deriva ou simplesmente permanece inalterado. Para eles, perder não é uma alternativa.
Como um tsunami dos negócios, e com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/simons.jpg" alt="simons.jpg" title="simons.jpg" align="right" width="150" height="180" hspace="5" border="0" />O mundo já sabe que, a partir de agora, quem vai mandar no mundo são os chamados hedge funds, fundos de investimentos que ganham dinheiro (mas muito dinheiro)  quando o mercado sobe, desce, fica à deriva ou simplesmente permanece inalterado. Para eles, perder não é uma alternativa.<br />
Como um tsunami dos negócios, e com um patrimônio que somado chega a estonteantes US$ 2 trilhões, ou quatro vezes o PIB oficial brasileiro, eles estão comprando tudo que vêem pela frente, de montadoras de automóveis a cadeias de supermercados, de petrolíferas a empresas aéreas.<br />
O que pouca gente sabe é quanto de dinheiro que os administradores destes fundos, que são fechados aos simples mortais, pouco regulados pelas autoridades e geralmente com endereços nas Ilhas Cayman ou nas Bahamas, ganham ao final de cada ano.<br />
A publicação especializada Alpha Magazine encarregou-se na semana passada de revelar os números: James Simons, do Renaissance Technologies, um fundo de US$ 12 bilhões fechado a novos investidores há 14 anos, ganhou exatos US$ 1,7 bilhão em 2006.<span id="more-988"></span><br />
Não precisa ser gênio para deduzir que Simons, um recluso e misterioso septuagenário muito popular no meio acadêmio por ser um criptoanalista, físico, matemático e filantropista, ganha cerca de 12 mil dólares por hora trabalhada, quando o salário mínimo por aqui não passa de cinco dólares.<br />
De acordo com o Institutional Investor, James ganhou um pouco menos em 2005, apenas US$ 1,5 bilhão e, pior ainda, só US$ 670 milhões em 2004. Somados, ano a ano, estes proventos fazem dele o 64° homem mais rico dos Estados Unidos, na mensuração da Forbes.<br />
Ele faz a alegria dos seus investidores com retornos acima de 35% ao ano, desde 1989, colocando os competidores, inclusive o lendário George Soros, no chinelo. James cobra as taxas regulares do mercado para administrar o fundo  (em torno de 5%) , mas cobra taxa de sucesso de 44%, o que manda seu salário para níveis estratosférios.<br />
Fumando, com um olhar de quem não precisa agradar ninguém (já perdeu dois filhos e tem ainda um autista diagnosticado aos seis anos), James deu sua primeira entrevista em uma década ao canal à cabo CNBC, e pareceu não muito preocupado em mostrar as intricadas fórmulas matemáticas que, com a ajuda de computadores e mais de 60 especialistas em adivinhar o futuro, usa para se enriquecer com os mercados futuros, swaps e derivativos em posições altamente alavancadas.<br />
- O que eu tenho é muita sorte, resumiu ele.<br />
James Simons não está sozinho nexta explosão salarial dos administradores dos fundos de hedge. Segundo o Alpha Magazine, existem outros como Ken Griffin (38 anos), da Cidadel Investments, com US$ 1,4 bilhão, Edward Lambert (você ainda vai ouvir muito este nome), da ESL Investiment, que ganhou US$ 1,3 bilhão, boa parte dos quais transformando a Sears, da qual é também chairman, numa decadente loja de departamentos que, contraditoriamente, é uma fonte inesgotável de lucros.<br />
Há também o polêmico George Soros, ex-patrão da Armínio Fraga e inimigo número um do presidente George W. Bush (é um dos grandes financiadores do Partido Democrata), que ganhou US$ 950 milhões, Steven Cohen, da SAC Capital, como US$ 900 milhões, e outros menos importantes, como Carl Icahn, com US$ 600 milhões, que volta e meia aparece nas reuniões de diretoria das grandes empresas exigindo melhor administração e mais lucros, invariavelmente à custa de demissões.<br />
Todos os administradores, mesmo os mais pobrezinhos, defendem as lucrativas taxas de performance porque, desta forma, ficam “alinhados com os interesses dos investidores”. No entanto, estas taxas, que fazem dos fundos de hedge aquilo que o capitalismo tem de mais selvagem, são criticadas por gente como Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo, que as considera um empurrão para os altos riscos, em detrimento de uma estratégia de longo prazo.<br />
Mas o que fazem estes administradores com tanto dinheiro no bolso? Segundo revelou recentemente o The Wall Street Journal, o patrimônio médio pessoal dos gestores é de US$ 61 milhões. A maioria é formada por homens com menos dos 55 anos (é um mercado onde mulher quase não entra). Preferencialmente, gastam boa parte do dinheiro em obras de arte, seguidas de iates, jóias, hotéis e resortes, relógios, roupas, spas, produtos eletrônicos, amigos e, por que não, vinhos da melhor qualidade.<br />
Afinal, como se diz, a vida é muito curta para se tomar vinho ruim.</p>
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		<title>Guerra ao racismo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2007 16:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contato@podbr.com</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Diz-se que o homem, como o peixe, morre pela boca. É o que está acontecendo com o locutor Don Imus, da CBS, demitido semana passada depois que chamou as jogadoras de basquete do Rutgers, uma universidade pública de New Jersey, na Costa Leste, de prostitutas de cabelo encarapinhado (Nappy-headed ho&#8217;s).
Imus, que assim encerra uma carreira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/don_imus.jpg" alt="don_imus.jpg" title="don_imus.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Diz-se que o homem, como o peixe, morre pela boca. É o que está acontecendo com o locutor Don Imus, da CBS, demitido semana passada depois que chamou as jogadoras de basquete do Rutgers, uma universidade pública de New Jersey, na Costa Leste, de prostitutas de cabelo encarapinhado (Nappy-headed ho&#8217;s).<br />
Imus, que assim encerra uma carreira de mais de 41 anos no rádio (seu programa também era transmitido ao vivo de madrugada pelo canal a cabo MSNBC) foi asfixiado não só pela reação em cadeia de candidatos presidenciais, jogadoras, bloguistas e pelos revanchistas de plantão, gente que pega este ato isolado e quer lixar a raça branca por séculos de opressão contra negros.<br />
O que pesou mesmo foram os principais patrocinadores, gente como Procter &#038; Gamble, General Motors, Staples e Sprint, cancelarem o patrocínio de US$ 25 milhões para o programa distribuído em mais de 70 rádios norte-americanas.<br />
Como o dinheiro fala mais alto, a reação inicial do pessoal de TV e rádio foi suspender Imus, um cowboy californiano e branquelo com sotaque sulista, por duas semanas. Mas depois, com a repercussão aumentando como uma bola de neve, a CBS decidiu simplesmente demití-lo.<span id="more-980"></span><br />
Imus é reincidente em tratar negros, latinos, índios e outras minorias nos Estados Unidos com palavras de baixo calão, ou no mínimo discriminatórias. Ex-alcóolatra e dadivoso filantropista, já foi acusado (e processado) de racismo, misogenia e homofobia, não só por celebridades, mas até por colegas de trabalho.<br />
Seu principal alvo, no entanto, são as mulheres negras, embora já tenha chamado o ex-secretário de Estado americano Colin Powell de &#8220;doninha ressonante&#8221; e o governador do Novo México de &#8220;bicha gorda”.<br />
Mas agora a paciência estourou. A gota dágua foi o discurso da técnica do Rutgers, C. Vivian Stringer, durante entrevista coletiva do time após o incidente. Ela chamou a atenção para o efeito perverso que as palavras de Imus provocaram nas meninas do basquete, a maior parte delas pós-adolescente.<br />
O time – composto de oito negras e duas brancas -, disse que voltou para suas casas no feriado de Páscoa e, ao invés de celebrar o reencontro com a família, só ouviram lamentações e rancores dos pais e amigos contra Imus.<br />
O radialista, um mestre na arte da fala, bateu de frente com todo o mundo, pediu desculpas diversas vezes (“sou um homem bom que fez uma coisa ruim”), propôs um pedido de desculpas frente a frente e convidou representantes da raça negra para debaterem a questão no seu programa.<br />
Só piorou a situação. Embora seja o maior caldeirão de raças que até hoje se encontraram num só espaço geográfico, os Estados Unidos está pronto para explodir a qualquer momento. O racismo é aberto, declarado, cheio de não-me-toques e do não-se-meta-comigo.<br />
Daí o imperdoável perdão judicial ao jogador de futebol americano O. J. Simpson, depois dele ter matado a esposa Nicole e seu namorado Ronald Goldman em 1994.<br />
Ou da imediata punição aos agentes que bateram no motorista de táxi Rodney Glen King em 1991, que provocou uma nunca vista guerra racial na parte mais pobre de Los Angeles, com diversos motoristas brancos sendo filmados pelas câmeras em cenas grotescas - arrancados dos carros e apanhando no meio da rua.<br />
Mas agora, passado os horrores do racismo – desde a escravatura, a Ku Klux Klan, e o assassinato do pastor Martin Luther King, Jr. em Memphis, Tennessee, em 1968, a discussão entre brancos e negros se dá principalmente pela mídia, que arregimenta as melhores cabeças pensantes para debater durante horas as injustiças da sociedade.<br />
O fantástico de toda esta história é o fato de os Estados Unidos terem a capacidade de errar, de aprender com os erros e de, como sempre, tirar lições deles. Ninguém fica parado na história regurgitando erros comezinhos e as armadilhas do destino.<br />
Errar é humano, como se sabe, mas a capacidade de reconhecer o erro rapidamente e corrigi-lo  é que faz a diferença. Como disse Chidimma Acholonu, presidente da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, “esta não é uma batalha contra um homem. É uma batalha contra uma forma de pensamento”.<br />
Sexta-feira, em entrevista à rede NBC,  a técnica C. Vivian Stringer completou: “se este episódio contribuir para que isto jamais aconteça de novo, eu trocaria tudo isto por todo o campeonato nacional. Estas meninas, como todos nós, são representantes de Deus”.</p>
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		<title>Tudo que é bom custa caro?</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2007 17:32:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Lipitor, o remédio mais vendido em todo o mundo, com vendas de US$ 12,9 bilhões somente nos Estados Unidos em 2006, está sob o fogo cerrado das empresas de seguro saúde, como também de quem precisa abrir o bolso na hora de combater o alto colesterol.
A estatina, um dos maiores sucessos da farmacologia desde Hipócrates [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/lipitor.jpg" alt="lipitor.jpg" title="lipitor.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Lipitor, o remédio mais vendido em todo o mundo, com vendas de US$ 12,9 bilhões somente nos Estados Unidos em 2006, está sob o fogo cerrado das empresas de seguro saúde, como também de quem precisa abrir o bolso na hora de combater o alto colesterol.<br />
A estatina, um dos maiores sucessos da farmacologia desde Hipócrates na antiga Grécia, já salvou milhões de seres humanos de ataques de coração e de outros males decorrentes do entupimento das veias, embora a um preço pouco acessível à maioria dos consumidores.<br />
Lipitor está sendo vendido nas farmácias americanas, sempre sob estrito controle e com prescrição médica, o que no Brasil equivaleria à tarja preta, desde US$ 109 a US$ 645, a caixa com 180 comprimidos.<br />
É muito dinheiro para quem precisa do Lipitor como do oxigênio para respirar: na maoria dos casos, pacientes com histórico familiar de alto colesterol, pessoas sedendárias que não fazem ginástica ou quem desconhece a diferença entre comer um toucinho e uma folha de alface.<br />
Esta turma começou a receber este ano cartas das empresas de seguro saúde dizendo que o campeão de vendas Lipitor não está mais na lista dos remédios preferenciais, o que significa dizer que os pacientes terão de pagar integralmente o valor da droga.<span id="more-979"></span><br />
Trata-se de uma reação mercadológica à gigante Pfizer, a maior farmacêutica do mundo, dona da patente do Lipitor até março de 2010. Do alto de sua majestade, e sempre alegando milhões de dólares em pesquisas e desenvolvimento que investiu até hoje, a empresa está fazendo justamente o contrário do que rezam os manuais das melhores práticas negociais.<br />
Ao invés de baixar o preço do produto para manter ou aumentar as vendas e enfrentar a concorrência, está gastando boa parte do seu orçamento de marketing, que vale US$ 3 bilhões, para comprar espaço publicitário nas grandes redes de TV e nos principais jornais americanos enaltecendo os milagres do Lipitor, que segundo ela reduz o colesterol em até 50%.<br />
Ao mesmo tempo, deslanchou esta semana uma campanha entre os médicos e farmacêuticos norte-americanos para demovê-los da idéia de receitar estatinas mais baratas (as chamadas genéricas), embora o Lipitor ainda responda por 43% das receitas médicas de estatatinas, segundo o Public Citizen Health Research Group.<br />
Em outras palavras, a Pfizer receia perder dinheiro com este campeão de popularidade que empaturra o caixa da empresa desde a década de 80, quando o químico Bruce Roth sintetizou a estatina já tomada, hoje em dia, por mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo.<br />
Mas como não existe felicidade para sempre, em junho do ano passado um dos maiores concorrentes da Pfizer, a Merck, perdeu a patente de outra estatina, o Zocor, detonando uma reação em cadeia que iria deslanchar o sucesso dos chamados genéricos, que não tem a atratividade da marca mas que, no fundo, fazem o mesmo efeito dos tradicionais.<br />
Não deu outra. A ação da Pfizer, geralmente um refúgio tranquilo para investidores conservadores, caiu para US$ 22,41, para uma ação que já valeu quase US$ 50,00 no início desta década. Até hoje não se recuperou.<br />
Em janeiro deste ano, ferida também pela perda das patentes de outros remédios e por alguns revezes na descoberta de novos medicamentos, a empresa resolveu cortar mais de 7,8 mil empregados (10% da folha)  fechando várias fábricas e centros de pesquisa, sob as ordens do novo executivo chefe, Jeffrey B. Kindler.<br />
A estratégia de Kindler de manter o preço do Lipitor se baseia em várias fatores positivos, como a potência do medicamento – segundo pesquisas, nenhum outro é tão eficaz para determinados casos -  como também no fato de que a Food and Drug Administration, o órgão do governo que está para a medicina assim como o Papa para os católicos, ter aprovado o medicamento para a redução de diversos problemas em pacientes com doenças do coração, incluindo hospitalizações por ataques cardíacos – o que vem sendo usado como um diferencial para combater a concorrência.<br />
A briga em torno do Lipitor está no meio de um intenso debate ético e mercadológico. Quem deve pagar pelos altos custos do desenvolvimento de drogas que salvam vidas em qualquer setor da medicina hoje em dia? Existem limites para empresa como a Pfizer ganhar bilhões de dólares em lucros durante sucessivos anos à custa dos doentes? As patentes devem ser respeitadas, mesmo que isto custe a morte de muita gente que não tem dinheiro para tomar estes remédios?</p>
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		<title>Bezos vai soltar foguete</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2007 00:48:46 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depois de quase seis anos de mistério, uma marca registrada de todos os empreendimentos que participa, o bilionário Jeff P. Bezos, principalmente acionista da Amazon.com, a maior loja online do mundo, revelou ontem as primeiras fotos do Goddard, o protótipo de foguete que ele está construindo para passear sob a órbita da Terra.
O Goddard, construído [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/bezos_01.jpg" alt="bezos_01.jpg" title="bezos_01.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Depois de quase seis anos de mistério, uma marca registrada de todos os empreendimentos que participa, o bilionário Jeff P. Bezos, principalmente acionista da Amazon.com, a maior loja online do mundo, <a href="http://public.blueorigin.com/index.html">revelou ontem as primeiras fotos do Goddard</a>, o protótipo de foguete que ele está construindo para passear sob a órbita da Terra.<br />
O Goddard, construído em homenagem a Robert Goddard, pioneiro da corrida espacial que lançou um pequeno foguete da sua fazenda em Massachusetts em 1926, subiu apenas 285 pés do solo durante 30 segundos numa área ao Oeste do Texas no ultimo dia 13 de novembro. Só agora Bezos publicou as fotos no website da Blue Origin, a empresa que criou para participar da corrida espacial.<br />
Como nos filmes de ficção científica, e como ainda fazem os russos, o foguete de Bezos sobe e desde verticalmente. Já recebeu autorizacao do Federal Aviation Administration (FAA) para fazer mais lançamentos, até chegar a uma altitude final de 100 quilômetros ou mais carregando pelo menos três astronautas e passageiros. Tecnicamente, o foguete é bastante parecido com o DC-X, ou o Delta Clipper, veículo desenvolvido pela Nasa, conhecida como a mãe de todos os foguetes.<span id="more-949"></span></p>
<p>Bezos, cuja fortuna agora vale apenas US$ 3,6 bilhões (tinha US$ 10 bilhões em 1999, antes da bolha da Internet estourar) entra agora para o clube de bilionários que está mandando dinheiro literalmente para o espaço. Outro bilionário de Seattle, o co-fundador da Microsoft Paul Allen, gastou cerca de 20 bilhões de dolares para desenvolver o SpaceShipOne. Na Inglaterra, Richard Branson, dono da Virgin Galactic, pretende oferecer vôos espaciais por apenas 200 mil dólares ainda este ano.</p>
<p>-“Estamos trabalhando, pacientemente e passo-a-passo, em torno de viagens espaciais que possam ser acessíveis a muitas pessoas, a fim de que os seres humanos possam continuar explorando o sistema solar”, disse Bezos no seu website. O bilionário, que quando bebê chegou a desmontar seu berço com uma chave de fenda, foi o homem do ano da revista Time em 1999 por revolucionar a forma como as pessoas compram produtos através do chamado comércio eletrônico. Escolheu o nome Amazon, que está fazendo 12 anos e vale mais de US$ 10 bilhões, por começar com a letra “A” e assim figurar no topo da listagem de sites de pesquisa como Yahoo e Google.</p>
<p>Para realizar seu novo sonho, Bezos está precisando desperadamente de gênios que o ajudem nesta emprestada. Acaba de fazer um anúncio ofertando pelo menos 15 cargos para engenheiros de sistemas, engenheiros especializados em propulsão, analistas de software, mecânicos de vôo e outros para a Blue Origin. A empresa tem uma área de 280 mil metros quadrados aqui perto de Seattle, em Kent, e também um complexo de testes numa fazenda do Texas.</p>
<p>O Goddard é o primeiro protótipo do veículo que se chamará New Shepard, dentro de um projeto maior de prolongar a presença humana no espaço. A nave será controlada completamente por computadores em seu cockpit, sem nenhum controle de Terra. Bezos disse à agência Reuters que pretende levar passageiros em 52 lançamentos por ano. Em um artigo de 2004 da revista The Economist, revelou que o veículo vai ser lançado e pousará com sua própria propulsão, usando propelentes como hidrogênio peróxido e querosene.</p>
<p>Na Terra ou no espaço sideral, a mundo ainda vai ouvir falar muito deste excêntrico bilionário, cuja estridente risada faz estremecer as vidranças do quartel-general da Amazon, perto do estádio de futebol americano Quest Field, em Seattle. Recentemente, a revista Business Week colocou-o na capa novamente ao revelar que pretende recuperar sua realeza no mundo da internet oferecendo a tecnologia operacional que fez da Amazon a maior loja online do mundo.<br />
“Bezos quer transformar a Amazon numa espécie de empresa de serviços digitais do século 21”, disse a revista. “É como se o Wal-Mart decidisse oferecer aos concorrentes sua cadeia de suprimentos e seu sistema de logística para qualquer negócio, inclusive varejistas rivais”.</p>
<p>A Amazon está começando a alugar tudo que tem, desde os 10 milhões de pés quadrados de seus depósitos em todo o mundo, até suas capacidades tecnológicas, como milhares de servidores, sistemas de armazenamento de dados e disk drivers, e ainda milhares de linhas de software escritas para coordenar tudo isto”. Se tudo isto não ter certo aqui na Terra, Bezos ainda terá o espaço sideral como alternativa.</p>
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		<title>50 anos: e uma pergunta no ar</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2007 17:55:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Larry King, nascido Lawrence Harvey Zeiger , o entrevistador-mor dos Estados Unidos, líder de audiência da CNN com milhões de expectadores diários em todo o mundo, vai fazer 50 anos de entrevistas (cerca de 40 mil, segundo suas estimativas) no mês que vem.
Nesta semana, em sua mansão em Pasadena, na Califórnia, ele disse que celebrará [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/larry_king.jpg" alt="larry_king.jpg" title="larry_king.jpg" align="right" width="158" height="188" hspace="5" border="0" />Larry King, nascido Lawrence Harvey Zeiger , o entrevistador-mor dos Estados Unidos, líder de audiência da CNN com milhões de expectadores diários em todo o mundo, vai fazer 50 anos de entrevistas (cerca de 40 mil, segundo suas estimativas) no mês que vem.<br />
Nesta semana, em sua mansão em Pasadena, na Califórnia, ele disse que celebrará este meio século de perguntas com uma “big” programação na emissora fundada pelo lendário Ted Turner: uma semana de entrevistas com Bill Clinton, Oprah Winfrey, Angelina Jolie e, como atração principal, ele mesmo. Será colocado na parede por Katie Couric, a âncora da CBS, a maior estrela da TV americana.<br />
King, um homem que fumava três maços de cigarro por dia, teve um ataque cardíaco e hoje dirige uma fundação que socorre gente com problemas no coração, comanda o mais antigo programa de entrevistas que se tem notícia. Começou na CNN em 1987, mas vive de perguntas desde maio de 1957, quando largou a vassoura de uma rádio de Miami (ele era uma mistura de faxineiro e auxiliar de serviços gerais) e foi colocado no ar.  No Brasil, ele aparece no canal 90 da SkyTv.<span id="more-947"></span></p>
<p>Pouco atraente, voz estridente e costumeiros deslizes gramaticais, o ex-entregador da UPS faz sucesso há cinco décadas fazendo perguntas. Só isto. Com óculos de fundo de garrafa, cotovelos na mesa e suspensórios vermelhos, ele não opina, não conversa fiado, não bate-boca e, o que deveria ser óbvio para todos os jornalistas, deixa o entrevistado falar. Faz perguntas instantâneas, à queima roupa, que apenas funcionam como fio condutor da conversa.</p>
<p>- O segredo da minha longevidade no ar é guardar para mim minhas opiniões e meu temperamento”, disse King, que vai fazer 74 anos. Ele já pensa antecipadamente em renovar o contrato com a CNN, que vence em 2009. Raramente vê TV, não usa a Internet e, todos os dias, leva seus filhos à escola (King foi casado oito vezes e tem seis filhos), na Califórnia, para onde se mudou para ficar mais perto das celebridades, que inundam seu programa.</p>
<p>Outro segredo de Larry é mais óbvio ainda: colocar o telespectador no centro do espetáculo. Todos as noites (o programa é transmitido às 9 horas na Costa Leste)  dá espaço para perguntas via telefone ou e-mail. Em seu website, Larry já deixa preparado um lugar para que a audiência lhe envie perguntas, nem sempre agradáveis aos entrevistados. No site também pode-se obter as transcrições de todas as entrevistas feitas.</p>
<p>Uma das atrações do programa é o trailer apresentado antes e depois de cada break comercial. Pode ser o trecho de um filme, cenas de um show ou um discurso. Este expediente faz com que o telespectador se insira no contexto da conversa e se familiarize com o entrevistado. O nome do entrevistado e suas declarações mais polêmicas aparecem no letreiro durante todo o programa.</p>
<p>Foi por estes letreiros que King foi processado diversas vezes, pois muitos deles trazem pontos de vista ou opiniões preconceituosas à respeito do convidado ou da convidada. Larry sempre foi absolvido com base na Primeira Emenda da Constituição norte-americana (Liberdade de Expressão), o que lhe dá o privilégio de editar as entrevistas como bem quiser. </p>
<p>Durante estes 50 anos, King teve a oportunidade de conviver, mesmo que por rápidos momentos, com celebridades de dois séculos, desde Eleonor Roosevelt e John Kennedy, até Tony Blair, Jerry Seinfield ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Monica_Lewinsky">Monica Lewinsky</a>. Já emprestou sua voz (e às vezes sua imagem) à mais 20 filmes e desenhos animados. Recentemente, gravou sua participação em Sherek 3.</p>
<p>Filho de judeus que emigraram do leste europeu, ele é, de tempos em tempos,  ridicularizado pelos concorrentes ou pelos humorísticos por sua avançada idade à frente do programa. Um de seus maiores concorrentes, David Letterman, já colocou vídeos no ar mostrando King se transformar numa múmia, ou às vezes no esqueleto.</p>
<p>Na entrevista que deu a um jornal canadense, o Toronto Sun, King revelou quais celebridades ainda quer entrevistar. O Papa Bento 16 e Fidel Castro (antes que ele saia desta para uma melhor, segundo ele). O que você perguntaria a Fidel, indagou o repórter: “o que falhou, o que deu errado, por que o comunismo acabou”, sugeriu. King não perde a chance. Há sempre uma pergunta no ar.</p>
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		<title>Como fazer dinheiro do nada</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2007 17:30:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Aposentado da TV há oito anos, o comediante americano Jerry Seinfield voltou às manchetes na semana passada depois que a revista Forbes elegeu-o como uma das celebridades que mais ganhou dinheiro no ano fiscal americano. Jerome Seinfield, nascido no Brooklyn e filho de um caixeiro-viajante, fez mais de US$ 120 milhões no ano fiscal americano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/Seinfield.jpg" alt="Seinfield.jpg" title="Seinfield.jpg" align="right" width="158" height="205" hspace="5" border="0" />Aposentado da TV há oito anos, o comediante americano Jerry Seinfield voltou às manchetes na semana passada depois que a revista Forbes elegeu-o como uma das celebridades que mais ganhou dinheiro no ano fiscal americano. Jerome Seinfield, nascido no Brooklyn e filho de um caixeiro-viajante, fez mais de US$ 120 milhões no ano fiscal americano com direitos autorais e vendas de DVD. E vai ganhar mais ainda, e por muitos anos, sem fazer nada. É o 28° da lista, só que todos os outros trabalham – e muito.<br />
“Seinfield, ou show sobre o nada”, como foi idealizado e produzido por ele entre 1989 e 1996, sequer foi percebido no começo. Com o sucesso, modificou os paradigmas da televisão americana por não contribuir em nada para a cultura, os valores familiares, o meio ambiente, a paz mundial ou qualquer outra coisa. Pior de tudo, suas histórias nunca têm final feliz. Politica, social e humanamente incorreto, é até hoje um dos campeões de audiência nos Estados Unidos.<br />
Desde de que acabaram as temporadas, o seriado é repetido em quatro capítulos diários pela TBS e por centenas de Tvs locais, num sistema de distribuição conhecido aqui de sindicalização. De segunda à sexta, das 9 às 11 da noite. 120 minutos de Seinfield. <span id="more-946"></span>Dvds, fãs clubes, biografias não-autorizadas, compilação dos scritps e até uma teoria macabra, a de que eles jamais fariam sucesso novamente, ajudam a reforçar até hoje o fanatismo pelo humor sarcástico, cruel e obsessivo de Seinfield, George Constanza, Cosmo Kramer e Elaine Bernes.<br />
Quando surgiu, o seriado foi descrito como pós-moderno: solteiros na faixa de 30 anos, sem raízes, vagas identidades e alheios a qualquer moral. As ações se passam dentro da cozinha do apartamento de Jerry (que também na vida real é maníaco por limpeza, super-heróis e sucrilhos) no Upper West Site de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Manhattan">Manhattan</a>, num recorrente e abrupto entra-e-sai de George, Cosmo, Elaine e um ator coadjuvante, Newman, um carteiro que esconde correspondências quando neva em Nova York.<br />
Jerry faz o papel de anfitrião e espectador dos fatos que giram, basicamente, sobre sucessão de derrotas morais, profissionais e familiares de seu amigo George (Jason Alexander), um personagem que, na (melhor) definição de Elaine, é troncudo, lerdo, baixinho e careca. A própria Elaine (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Julia_Louis-Dreyfus">Julia Louis-Dreyfus</a> – na vida real herdeira milionária) e Cosmo Kramer, este sim, um doido varrido (Michael Richards, único ator não judeu) encarregaram-se de abrilhantar a trama em torno de ser, por exemplo, surpreendido limpando o nariz, não fechar a porta do banheiro, xingar operadores de call centers ou selar envelopes com saliva – fato que matou a noiva de George Constanza quando postava os convites de casamento.<br />
Por ser um seriado sobre nada, tanto faz assistir como não assistir. Mas quando se assiste, mesmo repetidas vezes, morre-se de rir. Jerry Seinfield, no auge da fama, resolveu um dia parar de fazê-lo. Recusou US$ 5 milhões de dólares por capítulo (ele ganhava US$ 1 milhão por episódio), o que o fez ser citado no Guiness, o livro dos recordes, como o ator que até hoje recusou a maior grana para trabalhar.<br />
O seriado também está no Guiness pelo maior preço de publicidade já pago até 2004, quando terminou Friends, outro seriado novaiorquinho sobre o nada. Seinfield também marca o ápice da era do merchandising na TV. Produtos que estão em seu apartamento – desde pacotes de sucrilhos, caramelos, molhos até o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Apple_Computer">Apple</a> Macintosh - renderam milhões de dólares aos criadores e à Sony, que distribui o programa.<br />
 O fim de Seinfield, lamentado em todo o mundo, foi capa da revista Time em 1998. O último episódio, onde todos são presos por presenciarem um crime de rua sem reagir, representa o pagamento do preço por ser incorreto. Pois aqui, até segunda ordem, não existe impunidade.<br />
Segundo a revista The Economist, Seinfield também mostra o ápice da recuperação da cidade de Nova York naquele final dos anos 90, antes dos ataques de 11 de Setembro. Antigamente, dizia a revista, os seriados que tinham a cidade como pano de fundo eram todos sobre violência, sequestros, estupros e sexo. Seinfield chegou mudou tudo com um show sobre o nada.</p>
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		<title>Solidariedade no câncer</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2007 17:11:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[“Você tem câncer”, as três palavras mais temidas aqui nos Estados Unidos, voltaram a assombrar o país na semana passada, quando Elizabeth, esposa do candidato democrata John Edwards, anunciou não só o retorno da doença, como também metástases em diferentes partes do corpo.
Um dia depois de solidarizar-se com Beth durante a conversa matinal com jornalistas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.podbr.com/data/images/vida_americana/cancer.jpg" alt="cancer.jpg" title="cancer.jpg" align="right" width="166" height="231" hspace="5" border="0" />“Você tem câncer”, as três palavras mais temidas aqui nos Estados Unidos, voltaram a assombrar o país na semana passada, quando Elizabeth, esposa do candidato democrata John Edwards, anunciou não só o retorno da doença, como também metástases em diferentes partes do corpo.<br />
Um dia depois de solidarizar-se com Beth durante a conversa matinal com jornalistas na Casa Branca, o porta-voz da presidência, Tony Snow, também revelou que seu câncer de cólon, derrotado há dois anos com uma cirurgia, havia voltado com carga total, desta vez também com metástases no fígado.<br />
Ambos os casos detonaram uma enxurrada de reportagens na mídia, num efeito manada poucas vezes visto na imprensa do país. As notícias foram misturadas a dezenas de manifestações de solidariedade que fazem lembrar o escritor mineiro Otto Lara Resende, dono da famosa frase “o mineiro só é solidário no câncer”.<span id="more-945"></span><br />
A doença, que atinge um entre cada três americanos, principalmente após os 70 anos, provocou o aumento da popularidade (e de doações) do candidato democrata John Edwards, como também fez do porta-voz Snow, odiado por ser o maior defensor da direita americana, uma figura simpática, legal, além de uma “peça-chave” no degastado governo Bush.<br />
Ou seja, quem era opaco ganhou brilho. Quem era detestado ficou bonzinho.<br />
Tanto Tony quanto Elizabeth deram um show de relações públicas, convocando a imprensa antes que as informações fosse vazadas pelos médicos. Elizabeth, no entanto, que já escreveu um livro sobre a sua luta contra a doença, postou-se ao lado do marido, apoio-o na sua decisão de manter sua candidatura (“não posso desviar este bom homem do seu destino de servir a pátria”) e, melhor ainda, deu o recado final:<br />
- Sou como todos vocês, também vou morrer um dia, apenas sei do que provavelmente eu vou morrer.<br />
O câncer, como se sabe, domina o imaginário coletivo das pessoas porque é a negação da vida. É o próprio corpo produzindo células que levam à destruição da órgãos afetados, pulmão, cólon, mamas e próstradas – e consequentemente à morte.<br />
Este ano, cerca de 1,4 milhão de norte-americanos ouvirão as palavras “você tem câncer” de seus médicos. Boa parte destas pessoas vai morrer antes da hora.<br />
Por ser uma doença apavorante, boa parte da pesquisas na medicina (mais de 600 hoje em dia) estão direta ou indiretamente relacionadas ao tema. Seja através de sofisticadas cirurgias, radiações e quimioterapias que atingem apenas os órgãos afetados, ou mesmo modificações genéticas que aumentam exponencialmente o sistema imunológico das pessoas, médicos e pesquisadores estão derrotando a doença, ou pelo menos tornando-a menos agressiva.<br />
A idéia, segundo katie Couric revelou no CBS News, não é só fazer com que diversos tipos de câncer sejam curados – se não o forem, que fiquem como parte do dia-a-dia das pessoas, como, por exemplo, diabetes e outras doenças consideradas “mansinhas”, tratáveis ao logo da vida até o dia final.<br />
A maior amiga do câncer, como sempre, é a falta de informação. As pessoas, em geral, morrem de medo de serem dignosticadas, e por isto dão uma de avestruz fugindo do câncer simplesmente ignorando-o. Por outro lado, ter uma postura ativa, enfrentar (e cumprir) os tratamentos e querer viver é o que o câncer menos gosta. Em geral, pessoas otimistas tem 90% da guerra ganha.<br />
Mas o maior problema, como foi revelado no programa, é que uma vez dignosticado custa muito dinheiro manter-se vivo. Segundo o National Institute of Health, cerca de 50 mil dólares por pessoa só em remédios. Os pacientes gastaram em 2006 cerca de US$ 78 bilhões em tratamentos (cerca de 22% só em remédios), ao passo que todo o sistema de saúde norte-americano desembolsou US$ 206 bilhões no ano passado entre diversos procedimentos.<br />
Como reduzir as chances de ter ser atingido pelo câncer? É a mesma ladainha de sempre: vida saudável, exercícios físicos, parar de fumar, queimar as gordurinhas a mais e&#8230;.comer brócolis. Segundo os pesquisadores, está se comprovando que este insosso vegetal é uma espécie de bom-bril quando se trata de evitar a doença. Tem mil e uma utilidades.</p>
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